Por Rafael Bordin Schuch
Fama, dinheiro e sucesso formam uma combinação que, em grande parte das vezes, termina em tragédia. Quanto mais alto o salto, maior a queda. A multidão, ingênua, acredita que a vida das celebridades é recheada de felicidade, alegrias e prazer, no entanto desconhece o fato de que sentimentos e situações de egoísmo, traição e inveja é que povoam o cotidiano dos poderosos. Um casal que viveu, mas não sobreviveu à montanha-russa dessas emoções e situações explosivas, foi John Fitzgerald Kennedy e Marilyn Monroe. Este ano completou-se 50 anos da morte de Marilyn, ano que vem completa-se também meio século do falecimento de Kennedy, e entender o que ocorreu nos bastidores deste relacionamento entre dois ícones do século 20 é compreender como funciona a natureza humana.
Bem informados sacam de cara que o pecado sempre morou ao lado do presidente John F. Kennedy e do maior símbolo sexual de todos os tempos de Hollywood, Marilyn Monroe. Como consequência natural, obtiveram um relacionamento tumultuado, turbulento e, porque não dizer, arriscado. A atriz, desde o começo da sua vida convivendo com uma trágica história familiar e, ao longo do seu estrelato, sofrendo diversos abortos, sempre foi uma suicida em potencial com um fim previsível. Seu apagar das luzes foi a clássica história “A crônica de uma morte anunciada”, do colombiano Gabriel García Márquez. O descendente de uma rica família de irlandeses que se tornou o homem mais poderoso do mundo foi um indivíduo criado pensando que o dinheiro podia comprar tudo, que com ele nas mãos as coisas boas da vida não seriam mais do que simples mercadorias. Foram ícones para a sua geração e para as posteriores, servindo como modelos a serem seguidos em questões de atitude e comportamento. Entretanto, apesar de inexistir moralidade nas suas vidas, foram duas referências, uma cultural, e outra política, que fizeram falta com suas mortes precoces.
Homenageada na música “Candle in the Wind” pelo inglês Elton John, Norma Jean Mortenson já tinha casado com o jogador de beisebol Joe DiMaggio e com o dramaturgo Arthur Miller, mas foi somente com Kennedy que Marilyn satisfez a sua carência. Que ninguém se engane, Norma Jean era uma das amantes de Kennedy, mas a predileta, a preferida, a que lhe dava maior satisfação. Ele precisava de sexo, ela de carinho e companhia, pois, mesmo adorada por milhares, sentia-se solitária. O segundo presidente católico (o primeiro foi Abraham Lincoln) a presidir um país de maioria protestante era adorado por seu carisma e simpatia, entretantom, não passava de um indivíduo egoista e viciado em sexo. Ela foi endeusada por sua beleza sem igual, mas era uma pessoa infantil e depressiva, viciada e dependente de medicamentos para viver.
Do mesmo modo, neste triângulo amoroso onde sexo era a motivação principal a ser saciada, a primeira-dama Jaqueline Kennedy foi uma coadjuvante que suportava as traições inúmeras e constantes em troca da fama. O relacionamento que tentaram manter em segredo durou seis anos. Nele, um homem incapaz de amar e uma mulher incapaz de manter uma relação eram constantemente vigiados, mas, neste interlúdio, descobriram uma forma de se relacionar e, talvez, manter algum tipo de afeição.
Para entender melhor este precário relacionamento, indico o livro “Marilyn e JFK”, do escritor francês e crítico de cinema François Forestier, publicado pela editora Objetiva. Desmistificando estes dois habitantes do imaginário popular como exemplos na política e no cinema, a obra destrincha a vida de ambos mostrando detalhadamente o que ocorreu e os milhares de envolvidos por trás do casal. Mais do que saciar a curiosidade sobre a vida conjunta dessas duas referências culturais, o ganho maior com a leitura do livro de Forestier é compreender como age o ser humano em situações extremas; no fundo, é isso que o autor propõe. Quanto mais as luzes brilham, mais chamam a atenção, porém, também mais atraem parasitas invejosos, mesquinhos e manipuladores.
Infelizmente, o relacionamento e as vidas das duas figuras mais poderosas nas suas profissões em sua época terminou com um precoce e péssimo final. John Kennedy teve sua vida interrompida com um tiro dado pelo psicopata Lee Harvey Oswald num desfile em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963. Se Kennedy não tivesse sido assassinado, será que os EUA intensificariam sua presença nas selvas do Vietnã? Após diversos relacionamentos fracassados, sofríveis abortos e o envolvimento com as altas esferas do poder, Marilyn estava devastada. A mulher que fazia desaparecer os pontos de reflexão na cabeça dos homens não recebeu amor na infância, por isso tentou freneticamente, sem sucesso, encontrá-lo na vida adulta. Muito tempo antes de 5 de agosto de 1962, com uma quantidade cavalar de remédios que criava para si um universo à parte, o desequilíbrio emocional e os terríveis desgastes sofridos mataram Norma Jean. Contudo, a fama, o sucesso e o brilho da estrela levaram Marilyn Monroe à eternidade.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial