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A busca da felicidade, em 2006

Por Hélio Gama Algumas das mais belas lições de vida, em todo esse vasto planeta, como sabemos, foram ministradas por mestres inesperados. No caso …

Por Hélio Gama

Algumas das mais belas lições de vida, em todo esse vasto planeta, como sabemos, foram ministradas por mestres inesperados. No caso do Brasil, esses filósofos valiosos muitas vezes são encontrados nos balcões e mesas simples de bares e botecos localizados nas periferias das grandes cidades. Cercados de amigos, cerveja, cachaça, e inundados de talento, os sambistas nacionais esculpem suas letras e músicas a partir de suas próprias experiências de vida e da observação do que acontece com seus parentes, amigos e vizinhos.

E muitas vezes eles acertam em cheio. É o caso da dupla Davi Moreira e Nelson Custódio, que compôs o inspiradíssimo samba que leva o nome de “Esperanças Perdidas”, em 1965 (o ano quase diz tudo), gravado pela primeira vez pelos Originais do Samba, em 1967. O samba diz assim:

 “Quantas belezas deixadas nos cantos da vida,

que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar.

E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas,

que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar”.

 De fato, quantas vezes em nossas vidas abandonamos as chamadas “belezas da vida”, basicamente amigos e amores, deixando-os nos cantos. E, pensando bem, como se acumulam com o passar dos anos as “esperanças perdidas” porque nem ao menos decidimos tentar.

 A divisão do tempo em anos, meses, dias, horas, etc., serve para, entre outras coisas, exatamente permitir que retomemos os fios de nossas existências em nossas mãos, puxando o que deixamos para trás com a intenção de fazer com que as esperanças possam ser retomadas. Essa possibilidade de refazer caminhos, manter vivos os sonhos, tentar concretizá-los, de novo, é exatamente uma das mais fantásticas características do ser humano.

 Vamos aproveitar, portanto, o ocaso de 2005, para refletir sobre as “belezas da vida” que deixamos para trás. E aproveitamos para investigar onde foram parar aqueles sonhos maravilhosos que deixamos que se tornassem “esperanças perdidas”. A verdade é que, independente de nossa idade e saúde, sempre há tempo para concretizá-los. Às vezes, nós mesmos podemos retomar os caminhos, procurando nossos amigos queridos para dar-lhes o carinho que merecem. Também podemos eventualmente refazer sonhos, realizando aquelas coisas que pensamos em fazer quando mais jovens. E quando isso for impossível, sempre podemos falar sobre elas para nossos amigos, filhos e netos. É incrível como os bons sonhos “pegam”. Quem sabe aparece alguém que adote nossos sonhos e ajude a realizá-los?

Feliz 2006 a todos os leitores do Oi. De nossa parte, ao ingressar no vigésimo primeiro ano de edição desse semanário, mantemos nosso compromisso de oferecer um jornal para a família que se caracterize pela independência, qualidade e boa fé, fatores essenciais para manter a credibilidade conquistada nos primeiros 20 anos de circulação.

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