Por Nelsom Marangoni O Fórum Econômico Mundial divulgou recentemente o Relatório de Riscos Globais de 2007, no qual o destaque é a desconexão entre a capacidade que tem a humanidade de abrandar os riscos globais e os problemas gerados por eles. O documento sugere que 23 questões sociais, ambientais e civis pioraram nos últimos doze meses, apesar dos inúmeros alertas sobre seus potenciais impactos.
Essa realidade contradiz as notícias de inúmeras iniciativas sociais e ambientais que recebemos todos os dias. Isso acontece porque, para que essas iniciativas sociais e ambientais se transformem de fato em atitudes positivas, é imprescindível que as pessoas entendam e assimilem seus valores, sintam-se parte delas. É preciso que elas tenham significados relevantes para haver uma identificação e até mesmo a adesão a essas iniciativas. A pesquisa pode verificar esses significados.
Será que, mesmo diante de tantas iniciativas, a população está de fato preocupada ou envolvida com esses aspectos? Infelizmente, isso ainda é periférico. De forma geral, a população tem baixo conhecimento dos fatores que influenciam o meio ambiente e a sociedade, e sua atitude ainda é bastante sutil, na espera de que “alguém o faça”. Com exceção dos momentos críticos de crise, quando a população é extremamente solidária, as pessoas costumam não assumir atitudes individuais, pensando serem inúteis, já que, isoladamente, essas atitudes não se refletiriam em resultados efetivos para toda a sociedade. Aqui a pesquisa também poderia trazer subsídios para estimular o desenvolvimento de atitudes que possam levar a ações de cunho social e/ou ambiental. Além disso, porderia medir a evolução dessas atitudes.
A pesquisa pode contribuir de várias formas com iniciativas de cunhos social e ambiental, mapeando, por exemplo, as relações dos cidadãos com o meio ambiente, a sociedade e o mercado. Para o mundo empresarial, a pesquisa já é, há tempos, reconhecidamente uma ferramenta essencial para a condução de suas estratégias. Mas o universo da pesquisa é muito amplo e não se restringe apenas à formação de marcas, marketing e desenvolvimento de produtos. Essa disciplina poderia dar uma contribuição significativa para que os setores público e privado possam estabelecer políticas e conseguir o envolvimento da população.
As pesquisas podem contribuir porque têm a capacidade de identificar os valores da população e, assim, prover informações valiosas na otimização das iniciativas de empresas privadas, organizações não-governamentais e setores públicos.
Políticas públicas e mesmo campanhas de saúde pública e educação seriam melhor elaboradas se houvesse informações adequadas sobre as necessidades e expectativas da população. Um serviço público, a exemplo da marca de um produto, tem de estar adequado às necessidades e aos valores de um determinado target. A pesquisa pode gerar esse conhecimento.
O mesmo se aplica às iniciativas empresariais, que, num estágio inicial, compreendem que assumir compromissos sociais e ambientais podem constituir-se em elementos importantes no processo de branding de empresas, marcas ou produtos. Só que há mais do que isso. Compreender o universo, os valores e a efetividade das ações contribui para o fortalecimento e o sucesso de iniciativas e, conseqüentemente, de seus planejamentos estratégicos.

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