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A divertida megalomania do Paulo Sant”ana

Por Roberto Alves d´Azevedo A festa do Prêmio Press, segunda-feira à noite no Santander Cultural, estava muito bem organizada, agradável e, principalmente graças ao …

Por Roberto Alves d´Azevedo

A festa do Prêmio Press, segunda-feira à noite no Santander Cultural, estava muito bem organizada, agradável e, principalmente graças ao incrível Paulo Sant”ana, divertidíssima! Nem parecia que aquele agitado havia passado tão mal na sexta-feira, baixado hospital e só saído de lá, depois de diversas intervenções, naquela manhã. O assunto dominante, é claro, era ele mesmo e sua conhecida megalomania, uma provocação que ele gosta.

“Não estavas no hospital ?” foi a pergunta que o Sant”ana mais ouviu durante a noite. Às explicações, todas as pessoas que o cercavam demonstravam conhecer bem cada dificuldade passada nos últimos dias. A provocação estava “caindo de madura”:

– Sant”ana, presta atenção. A dúvida importante agora é saber se ainda és mais notícia quando estás em atividade ou quando ficas fora de circulação (ele silenciou…), porque isso pode ter um significado decisivo na tua relação com a RBS.

Só quem conheceu o início da carreira do colunista, nos anos 70, pode se divertir tanto com esse folclore que ele montou em torno da megalomania. Símbolo de insegurança, transparentemente angustiado, ele simplesmente não tirava férias, durante muito anos, com medo de que o interino de sua coluna sobre o Grêmio agradasse aos leitores e, pior do que isso, agradasse à direção do jornal. Só muito mais tarde é que ele se deu ao direito de tirar férias: ficava em seu lugar o editor-chefe da redação, o Carlos Fehlberg (e só ele, não havia outra hipótese).

Mas, voltando à provocação do parágrafo anterior, a resposta veio logo, reflexiva:

– No hospital, lendo a ZH de domingo passado, com artigos fantásticos como os do Percival Puggina e do Marcos Rolim, ali na mesma página, fiquei inconformado de ter ficado fora dessa edição. Eu não poderia estar fora dessa edição que vai ficar na história da Zero Hora… eu não posso ficar fora de nenhuma edição importante da Zero Hora!

Apartá-lo é difícil, principalmente quando está “com a corda toda”, como segunda-feira. E numa roda em que a presença do ex-governador Antonio Britto o entusiasmava ainda mais, então… mas ele precisava respirar e espaço surgiu:

– Com todos esses problemas de saúde de que te queixas, tens que ficar mais preocupado ainda… deve ser angustiante imaginar que, mais cedo ou mais tarde, a Zero Hora terá uma edição, aí sim, histórica, mostrando tudo o que fizeste na tua carreira, a comoção popular da cidade com a perda do seu maior colunista dos últimos 40 anos… e quem escreverá a tua coluna, quem ficará com teu espaço naquele dia ?

– O que tem me angustiado mesmo é essa vida de sofrimento que venho tendo… mas é verdade, acho que vou preparar essa coluna e baixar de adianto. Esse dia vai ser importante demais para eu deixar de escrever a minha coluna na Zero Hora.

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