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A eleição de Sartori: as propostas percebidas pela maior parte do eleitorado (III)

Por Elis Radman De uma forma geral, pode-se analisar o eleitorado gaúcho sob a seguinte perspectiva: 30% dos eleitores destinam o seu voto com …

Por Elis Radman

De uma forma geral, pode-se analisar o eleitorado gaúcho sob a seguinte perspectiva: 30% dos eleitores destinam o seu voto com base em critérios políticos (preferência partidária, ideologia, interesse de classe ou proposição) e 70% do eleitorado definem com base em critérios pessoais, pela pessoa do candidato, com base em seus anseios, seguindo os principais elementos presentes na cultura política brasileira.

Os eleitores que definem o voto pela pessoa do candidato manifestavam alto grau de descrédito em relação à política e aos políticos gaúchos. Ansiavam por um candidato “que não prometesse”. Afirmavam durante todo o processo que gostariam de depositar “sua esperança” em um governador que enfrentasse os problemas do Estado, cuidando dos problemas básicos, e estivesse próximo da população, “inclusive para explicar o que não conseguisse fazer”.

A investigação dos motivos da intenção de voto em Sartori no primeiro turno indicava que um terço de suas intenções estavam balizadas pelo argumento em torno das propostas do candidato, por seu trabalho em Caxias do Sul e por suas características pessoais. As primeiras pesquisas do segundo turno investigaram o motivo do destino do voto e verificaram que o eleitor tinha direcionado seu voto em função das “propostas do candidato”, aliadas à percepção de que o candidato tinha experiência.

Nos testes sobre o candidato que detinha melhores propostas, Sartori alcançava mais de 50% da preferência dos gaúchos. Os motivos que sustentavam esta avaliação estavam focados na percepção de que o candidato estava comprometido em “fazer funcionar os serviços públicos”. Premissa que para muitos “não seria uma proposta” por ser um elemento sine qua non da tarefa de um governante. Mas, para a maioria dos eleitores que avaliavam que os serviços básicos não estavam sendo executados a contento, a proposta estava em “ter um governante que não promete”. Os eleitores almejavam por um governante que “fizesse o que precisava ser feito” em ações básicas do cotidiano do Estado e em parceria com os municípios e percebiam que esta era “a proposta de Sartori”. Diante deste contexto, o eleitor “endossa um cheque em branco”, afirmando que a cada pleito emite um “cheque em branco” para o candidato a quem destina o voto e que em muitos casos o eleito não cumpre o prometido.

Elis Radmann é mestre em Ciência Política pela Ufrgs e diretora do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião.

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