Por Rafael Bordin Schuch
A maioria não conhece Paulo Francis, essa talvez seja uma das respostas para a pobreza cultural atual através da informação jornalística; entretanto, os motivos não param por aí. Veio o Orkut e agora, criado pelo inofensivo Mark Zuckerberg, a conversa é o Facebook. Quem não tem seu rosto estampado na maior rede social de internet do mundo não existe. Namoros, empregos, produtos e amigos são encontrados da mesma forma nas páginas de fundo azul que conectam o sul da Patagônia ao norte da Sibéria, passando pelo deserto do Saara.
Infelizmente, não podemos saber o que Paulo Francis nos ensinaria sobre o momento atual, e qual crítica sobre esta mediocridade do mundo dito moderno ele nos traria. Porém, sendo um homem extremamente culto, que tinha a capacidade de lincar o verão de julho em Nova York, onde morava, com a primeira parte da “Divina Comédia” de Dante Alighieri, O Inferno, certamente aumentaria a elaboração da análise que já vinha fazendo em relação à cultura pop: curta, efêmera, pouco profunda, que leva a alienação humana ao seu pior tipo.
É possível imaginar o que Paulo Francis diria pelas seguintes perguntas: a qualidade intelectual das pessoas aumentou com a criação do Facebook? A sociedade melhorou com o aumento da velocidade e troca de informação (a maioria inútil) dentro das redes sociais? É óbvio que não, e muito pelo contrário.
Francis, que neste ano completaria 82 anos, estaria a cada dia se surpreendendo, não com os fatos, como ele mesmo dizia, mas com a futilidade que não tem limite. Se estivesse aposentado, é de se acreditar que faria uma breve exceção e nos daria o prazer de ouvir suas palavras sobre o Facebook, que agrega um apelo gigantesco frente aos milhões que obtém de suas páginas informações efêmeras, triviais, com vida útil de segundos/minutos, sem nenhum aprofundamento maior. Com um número enorme de informações sobre a vida de celebridades, famosos, e os mais diversos fatos sem nenhum valor real poluindo as páginas das redes sociais, Francis, com certeza não deixaria por menos e se “deitaria” na crítica ao dito mundo moderno do facebook.
Sendo um jornalista extremante competente, respeitável intelectualmente, Francis não se abastecia com informações inúteis, vulgares e miúdas, como ocorre atualmente. As informações rodadas nas páginas das redes sociais são assim, e por serem milhares, exigem muito tempo para digeri-las em troca de entretenimento, oferecendo irrisório benefício aos seus associados. Falta um Paulo Francis para que ocorra uma reflexão maior sobre esta perda fútil de tempo. Como resumiu e acertou a capa da revista Veja de 15 anos atrás (12/02/1997): ELE VAI FAZER FALTA.

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