Artigos

A fantástica Maria da Graça

Por Mario Rocha Quem foi ao antigo Show da Vida para um longo depoimento sobre suas dores e seus amores? Maria da Graça? Xuxa? …

Por Mario Rocha

Quem foi ao antigo Show da Vida para um longo depoimento sobre suas dores e seus amores? Maria da Graça? Xuxa? Ou ambas?

Já li, vi e ouvi muita coisa na imprensa sobre o depoimento de uma senhora quase cinquentona acerca dos lamentáveis episódios de abuso sexual de que foi vítima na infância. Nascida Maria da Graça Meneghel em 27 de março de 1963, a gaúcha de Santa Rosa, foi corajosa em sua exposição pública e é muito provável que esteja contribuindo para fazer  crianças e jovens entenderem que certas ações de pessoas mais velhas não estão certas e precisam ser denunciadas.

Tal manifestação é tão importante quanto, décadas atrás, em programas de auditório com imensa audiência que vi pela tevê, as reiteradas declarações contra o uso de drogas feitas por uma linda jovem de apelido Xuxa. Muitos baixinhos e  baixinhas talvez tenham pensado nas palavras daquela garota sorridente, de fala chiada e shortinho curto, na hora de decidir se aceitavam ou não o convite para uma experiência diferente.

Quem foi ao antigo Show da Vida para um longo depoimento sobre suas dores e seus amores? Maria da Graça? Xuxa? Ou ambas?

Acredito que comete uma injustiça com Maria da Graça quem atira a primeira pedra na Xuxa por achar que perpetrou um golpe midiático para tentar reverter uma carreira de popularidade descendente. Houve momentos em que este telespectador  queria que ela terminasse logo de contar o que sofrera. Estava incomodado por saber que o mesmo drama do passado pode estar acontecendo agora com a menina assustada que mora no apartamento ao lado ou com o menino calado que não brinca na rua e nunca sorri.

Não respeita Maria da Graça quem lhe nega legitimidade ao seu misto fervente de desabafo e alerta porque, enquanto Xuxa, foi capa e miolo de revistas masculinas, modelo sensual e atriz do polêmico Amor Estranho Amor. O filme foi dirigido em 1979 por Walter Hugo Khouri e nele contracenou, aos 16 anos, com Vera Fischer, Tarcísio Meira, Walter Forster, Otávio Augusto e o menino Marcelo Ribeiro, então com 12 anos.

Não era a Xuxa chiando quem se perguntava se a sua dificuldade em manter uma relação afetiva duradoura não estaria ancorada lá no passado. Era Maria da Graça, que tem uma filha a quem ama muito e defendeu com unhas e dentes quando Sasha errou a grafia de uma palavra em mensagem postada e foi criticada sem dó nem piedade por internautas desnaturados.

A Rainha dos Baixinhos parece que está acertando as contas com o que sempre a atormentou. Aquilo pelo que passou, dizem os especialistas, não se apaga com a borracha da razão. A racionalização serve de mata-borrão e seca a tinta, mas não a remove. Maria da Graça parece ter voltado à infância para liberar emoções reprimidas.

Ela, que incorporou Xuxa ao nome de batismo e tem se empenhado cada vez mais em causas sociais, talvez tenha encontrado a peça que faltava para viver em harmonia com a personagem que construiu em conjunto com a mídia para vender de quase tudo um muito. Inclusive a si mesma, como garota-propaganda de um sem-número de marcas e produtos, protagonista de filmes para o público infantil, cantora com milhões de discos e cds vendidos e assim por diante.

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.