Por João Garcia
Diante da venda das emissoras da Caldas Júnior para o grupo Record, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus, pipocam notícias que no jargão radiofônico chamamos de “Rádio Corredor”. Dentre estas, algumas estapafúrdias e outras plantadas pelos interessados em serem lembrados ou aqueles que buscam aumento de salários sem sair do lugar.
Agora, estamos ouvindo e lendo que a Record estaria interessada em profissionais da RBS, especialmente das rádios da RBS. Isto, como só fosse possível atingir o primeiro lugar em audiência contando com estes colegas “consagrados”. Na verdade, além de plantadas, estas notícias revelam grande desconhecimento do potencial do grupo de profissionais da Guaíba. Estes, além da qualidade, têm outra coisa muito rara no mercado: CARÁTER.
Os fatos recentes identificam bem esta qualidade dos meus colegas da Guaíba. Sequer foram avisados da venda (DEVERIAM?) mas, em nenhum momento deixaram de cumprir suas obrigações. Não baixaram a cabeça, não esmoreceram, seguiram lutando pela audiência e valorizando o ouvinte guaibeiro – algo raro no rádio gaúcho. Quem vendeu não informou, quem comprou silenciou, (deveriam?) criando clima de ansiedade e angústia.
Já passei por situações semelhantes na carreira e até piores e mais uma vez orgulho-me dos radialistas e jornalistas de todas as gerações desta velha senhora Guaíba. Então, porque precisamos de alguém da RBS para assumir o primeiro lugar? Precisamos sim de mentalidade gerencial e diretiva de vencedores e não da síndrome de Rubinho, que se contenta com o segundo lugar ao Alemão. Nesta analogia, digo que temos carro, piloto e espírito de vencedor. Nos faltam investimentos em equipamentos, mobilidade, tecnologia da informação, estratégia e logística para chegar no topo. O mercado ai está para ser encarado, para quebrar os conluios publicitários que só conhecem a “mídia da mãe” e que condenam o RS a mesmice da Rede Globo.
Gente qualificada nós temos e não reconhecemos na RBS o supra-sumo gerador de talentos e sim falta de adversário competitivo, que seja capaz de enfrentá-los com coragem e determinação. Aos homens da Record digo do alto de mais de 30 anos nesse meio, e de iniciativas, onde o elefante foi desafiado e ajoelhou, precisando de meios obscuros para derrubar o rato. Não precisamos de ninguém da RBS. Respeitando os colegas de lá e sem estar com medo da concorrência ou tentando preservar-me ou aos meus colegas.
Os guaibeiros e guaibeiras sabem do que estou falando: desta rádio que tem cor e personalidade. Agradeço a oportunidade que me dá o Sindicato de dizer estas coisas que os meus colegas gostariam de dizer. Sei que são deles as minhas palavras.
Senhores da Record. Os senhores não adquiriram apenas prédios e equipamentos. Compraram história e cultura e um patrimônio humano invejável que, nestes 50 anos, nenhum concorrente conseguiu igualar e nenhuma crise derrubou. Dentro deste secular prédio existem pessoas que orgulham a tradição deste povo altaneiro que jamais abateu-se.
Os senhores vão saber disso logo.

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