Por Sérgio Capparelli Achava Londres o fim do mundo. Fria, cinza e encapsulada. Eu não entendia como seria possível comparar a capital inglesa com Paris, Roma ou Berlim. Mas agora, caminhando na zona central da cidade, depois de 40 anos, achava que estava em outra cidade. Ou na mesma, que tinha mudado. E eu o mesmo, mas outro.
Claro, naquela época, Paris saía do Maio de 68, com as revoltas estudantis e a juventude no centro da cultura. Londres era apenas uma cidade taciturna, onde se ia conseguir emprego num restaurante, conseguir algum dinheiro e procurar outro país para viver. Mas dessa vez havia uma Londres agitada, inquieta, em meio a novas idéias e conceitos arquitetônicos e, escute bem, museus de graça.
Não que Paris tivesse perdido a graça, o charme e os encantos. Paris é a mesma. Uma cidade que se mostra. Em tudo. Nos rostos, nas vitrines, na luz, na agitação das ruas e nas livrarias. Mas nesse tempo Londres se transformou em silêncio, abriu um sorriso desse tamanho, agitou-se na cultura de seus campi universitários, provocou uma revolução musical e conseguiu empregar seus jovens.
Escute bem, jovem com emprego, é meio caminho andado numa revolução cultural e no progresso social. Primeiro porque ele torna-se independente. Vira inclusive consumidor. Consome discos, livros, vai a concertos, enche as universidades, faz progredir, em suma, a indústria cultural de seu país. E remodela também o mercado imobiliário, pois precisa de um lugar para morar, tendo com que pagar aluguel. E Londres – toda a Inglaterra – tornou-se um ímã para jovens do mundo inteiro, simplesmente porque é possível dar trabalho a mais gente.
Prova disso? Dê um passeio pelo centro do Londres. Tem pouco a ver com a Londres de tempos atrás. A cidade não se cabe mais de tanta juventude.

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