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A morte possível e anunciada da TV Brasil

Por Antonio Brasil E a novela continua. Hoje, terça-feira, o congresso brasileiro deve votar a medida provisória e misteriosa que criou a Empresa Brasileira …

Por Antonio Brasil

E a novela continua. Hoje, terça-feira, o congresso brasileiro deve votar a medida provisória e misteriosa que criou a Empresa Brasileira de Comunicação e TV Brasil. Há grande expectativa na mídia, nos meios políticos e total indiferença dos principais interessados: o público brasileiro. Não fomos ouvidos ou consultados antes, durante ou depois da implantação desse megalomaníaco projeto salvador da TV brasileira. Mas, pra variar, de uma forma ou de outra, seremos convocados para pagar a conta do sucesso ou mais provável do fracasso dessa nova aventura. Com fundo ou sem fundo de telecomunicações, em verdade, tanto faz! O dinheiro acaba sempre saindo do nosso bolso. 

Mas pelo andar da carruagem, o governo, mais uma vez, deve conseguir aprovar a medida com pequena margem na Câmara e ser derrotado no Senado. A história das últimas votações importantes do governo tende a se repetir. Ou seja, deve “mangabeirizar” (neologismo para o fracasso da implantação do ministério para assuntos misteriosos do misterioso Prof. Mangabeira). O grandioso e igualmente misterioso projeto da TV Brasil pode naufragar nas próximas horas.   

Na última semana, surgiram vários artigos na imprensas defendendo a necessidade da implantação “comme il faut” da TV Brasil, o acerto da utilização de medida provisória e anunciando inclusive ameaças terríveis caso o governo seja derrotado. Para o ex-presidente da Radiobrás Eugenio Bucci, “na hipótese de naufrágio da EBC, a TV Brasil poderá continuar suas transmissões abrigada pela velha Radiobrás – esta deveria ser extinta para dar lugar à nova empresa, mas se manteve em atividade. Assim, os que pretendiam derrotar a MP para forçar o fechamento da TV Brasil caíram do cavalo.”

Vocês entenderam a essência e a força do argumento? O ex-presidente da Radiobrás literalmente nos ameaça com a manutenção da velha empresa caso não a substituirmos pela EBC. Ou seja, não há garantias concretas de que o país será melhor, se beneficiará da nova estrutura. Mas, certamente, estaremos muito piores, caso mantivermos a Radiobrás.

Pois eu arrisco uma solução. Por que não acabar de vez com a Radiobrás, uma empresa que o próprio ex-presidente concorda que deve ser extinta e aproveitarmos a oportunidade para “naufragar” o mostrengo da EBC da TV Brasil? Aproveitaríamos o tempo para pesquisar, analisar e debater com a sociedade brasileira as nossas alternativas para uma TV pública de verdade.

Aproveito para indicar outra alternativa mais lógica e realista. Por que não utilizar os enormes recursos disponíveis para a EBC numa reestruturação das televisões públicas brasileiras que já existem como a TVE do RJ, TV Cultura de SP e as demais TVs públicas regionais? Concordo que temos que acabar com Radiobrás. Mas substituí-la simplesmente pela EBC, sem maiores discussões e debates pode ser ainda pior. Não perdemos nada com o fim da Radiobrás. Afinal, ela nunca existiu. 

A televisão pública brasileira tem muitos mistérios. Tudo bem. Sempre foi assim. Mas hoje cabe ao Congresso brasileiro evitar que o naufrágio da EBC se transforme na morte de um sonho. Não temos necessariamente que cair do cavalo. Devemos sim, apoiar e prestigiar o passado e a experiência das nossas TVs públicas. Elas podem ser limitadas, mas certamente ficarão muito piores com a EBC da forma como está sendo proposta.

Devemos sim, evitar a centralização de poder da TV pública brasileira em Brasília ou em qualquer outra parte do País. Devemos acreditar que uma TV pública de verdade, distante do governo, de qualquer governo e mais próxima do público é possível.

Mas pode não ser tão urgente e prioritária.

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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