Por João Firme de Oliveira “Estudantes de Direito de Passo Fundo não pagaram a conta no Captains Bar e foram festejados.” Esta foi uma das duas notícias que ouvimos em rádios da capital paulista, no dia 11 de agosto de 1973, divulgadas também em alguns jornais do dia seguinte.
Imbuídos pela juventude e pelo desejo de promover um Seminário sobre o Novo Código de Processo Civil, fomos a São Paulo na companhia de Sérgio Kleiman, formando conosco na época, e participamos com o Teixeirinha e a Mary Terezinha de um programa líder de audiência de televisão chamado “Jantar com as Estrelas”, apresentado por Airton Rodrigues e Lolita Rodrigues. A condição para divulgar o evento jurídico era levar o Teixeirinha e conseguimos convencê-lo a colaborar com a turma de Direito de 32 anos atrás. Às 23h30min do dia 10, após o programa, voltamos para o Hotel Comodoro, da “Capital da Garoa”, e acabamos conhecendo o Captains Bar, wiskeria e danceteria muito badalada. Aos quinze minutos do dia 11, o colega Kleiman teve uma idéia: “Hoje é o dia da criação dos cursos jurídicos do Brasil. Vamos dar publicidade ao seminário parando a música com um rápido discurso e anunciando que não pagaremos a conta. Certo? Só que não irei lá na frente dos músicos fazer isso”. Tomamos a iniciativa e após cinco minutos era uma confusão geral no pequeno bar. Ninguém queria pagar nada e sobrou para nós. Trancafiaram-nos no apartamento com um segurança nos vigiando até às 8h, quando fomos convidados pelo dono do hotel, Paulo Meimberg, para tomarmos café. Ao chegarmos, recebemos a informação do prejuízo, pois alguns clientes saíram e deixaram de pagar as despesas. Pedimos desculpas afirmando que esta não era a nossa intenção, e explicamos que o que havíamos feito tinha por objetivo dar publicidade ao seminário, um dos primeiros antes da entrada em vigor do novo Código de Processo Civil que teria a confirmação, em outubro, do ex-ministro Moacir Amaral Santos, o “papa do Processo Civil”, e de outros juristas ilustres, como Washington de Barros Monteiro, José Frederico Marques, Galeno Velinho de Lacerda e Alcides Mendonça Lima.
Para surpresa nossa, Paulo Meimberg identificou-se como advogado e lamentou, quando acadêmico de Direito, não ter pendurado nada em nome das Escolas Jurídicas. E lascou uma proposta: “Vou preparar uma notícia para a imprensa com os nomes de vocês fazendo referência que são estudantes de Passo Fundo, e só assim perdoarei a conta. Posso?” Imediatamente, pedimos para incluir as duas diárias. E a proposta foi aceita com sorrisos.
Atuando como publicitário continuamos indo a São Paulo até que surgiu uma boa amizade com o Paulo Meimberg. Ele veio a Porto Alegre em 1974, dando-nos a conta de seus hotéis de São Paulo e Santos, e nos convidou para uma temporada de uma semana com nossa família. Depois, realizamos uma exposição no Comodoro, denominada Semana Gaúcha em São Paulo, com estandes de empresas do RS nas quais destacamos os produtos Prenda, de Santa Rosa; a Venax, de Venâncio Aires; e malharias e chocolates de Gramado, entre outros. Durante uma semana, os hóspedes e o público comeram churrasco e carreteiro preparados pelo CTG de Osório, que assumiu a cozinha e as danças folclóricas. O grande astro foi o Paixão Cortes, recepcionista de Fogões Venax, que andou aparecendo na imprensa com a “garota café” e a Kate Lyra, aquela da publicidade “Brasileiro Bonzinho”, o comercial de TV mais sedutor dos anos 80.
E foi assim que entrou na nossa vida como positivo o “Dia do Pindura”, uma praxe que está sendo apagada pelo tempo.

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