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A publicidade vai ser varrida da zona urbana de Paris

Por Sérgio Capparelli Paris é uma cidade bonita. Mais bonita ainda no outono. Com as temperaturas baixando a zero durante a noite, as castanheiras, …

Por Sérgio Capparelli

Paris é uma cidade bonita. Mais bonita ainda no outono. Com as temperaturas baixando a zero durante a noite, as castanheiras, as nogueiras, os plátanos, as sequóias, os pessegueiros e os olmos vão ateando pequenos incêndios aqui e ali, avermelhando as copas e se despedindo do outono.

As ruas, no entanto, não falam a linguagem das cores vegetais. Elas falam muito mais das cores vivas dos cartazes publicitários, desabrochando nas vitrines, nos painéis, nos abrigos de ônibus e na fachada dos edifícios. Com os ventos da ecologia soprando nas alamedas, esses cartazes de publicidade também se despedem do outono.

As semelhanças param e começam as diferenças. As grandes diferenças. Enquanto as árvores despedem-se apenas do outono, os painéis publicitários despedem-se das quatro estações do ano. A maior parte deles vai desaparecer, a partir da decisão tomada pela prefeitura parisiense. E amanhã, 30 de outubro, começa o necrológio de boa parte da publicidade urbana da cidade, no momento em que forem apresentadas as novas regras de publicidade urbana.

O jornal Le Figaro fez um levantamento do patrimônio da comunicação publicitária na cidade. Há 2.700 painéis de grandes dimensões, de 8 a 12 metros quadrados, da Dauphin, Avenir e CBS Outdoor; 1280 de formato pequeno, com o mapa de Paris no verso, da Decaux; 1.650 painéis em abrigos de ônibus, da Decaux; 550 colunas de anúncios, da Decaux; 6.600 vitrines de comerciantes; 200 entradas de metrô; e 383 bancas de jornais e revistas.  A intenção do prefeito Bertrand Delanoë é acabar com 60% deles.

Os meios publicitários estrilaram. A prefeitura permaneceu serena. Mesmo se as agências de publicidade entrarem com um recurso, ele não será suspensivo. Pior ainda: se a parte de trás for utilizada com mensagens comerciais, os donos das bancas serão penalizados. Aliás, a publicidade continuará proibida perto de escolas e de monumentos.

O motivo dessas mudanças? De agora em diante, a proteção do ambiente e o desenvolvimento durável têm prioridade em relação aos investimentos publicitários. Por isso, quando, depois do inverno, a primavera voltar, ela não precisará de painéis nem cartazes a anunciá-la. Os parisienses irão se contentar com ela própria, a primavera.

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