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A sensibilidade do Seu Maurício

Por Adão Oliveira Na semana que passou muito se falou sobre a vida e a obra de Maurício Sirotsky Sobrinho, o fundador da RBS. …

Por Adão Oliveira

Na semana que passou muito se falou sobre a vida e a obra de Maurício Sirotsky Sobrinho, o fundador da RBS.

Seu Maurício deixou em todos nós que em algum momento convivemos com ele, um profundo sentimento de respeito e admiração. Admiração pelo trabalho e perseverança. Respeito pela figura humana que era.

Quando trabalhei na RBS, cheguei a participar de reuniões presididas por ele, e o que mais me impressionava no empresário era a sua visão de futuro e capacidade de decisão.

Mas, muito mais do que isso, o que realmente marcava na sua personalidade, era a sensibilidade.

Em novembro de 1979, fui indicado coordenador da cobertura RBS – rádio, televisão e jornal – da Copa de Ouro, um evento que seria realizado nos primeiros dias de janeiro de 80, no Uruguai, para comemorar os 50 anos da conquista pelo país, do seu primeiro título mundial – 1930.

Uma dificuldade me assustava. Não havia como transmitir de lá, porque o país não estava ligado ao mundo via satélite. Uma ligação telefônica era feita com, no mínimo, dez horas de atraso.

Com um mês de antecedência eu e o grande Holmes Aquino, um dos maiores profissionais de rádio com quem já trabalhei, nos tocamos para Montevidéo.

As dificuldades eram tantas que só voltamos ao Brasil na primeira quinzena de janeiro, depois de amargar o Natal e o Ano Novo longe da família. Precisava ser assim, o Uruguai estava atrasado na área da tecnologia. Coube ao Holmes Aquino, competente técnico, ajudar o país se ligar ao Mundo.      

A gente trabalhava tanto que não via o tempo passar.

E chegou a noite de Natal!

Tristes, eu e meu companheiro descemos para a portaria do Hotel Embaixador, à espera do jantar. O hotel não tinha restaurante. Aliás, ele nem havia sido inaugurado. Nós éramos os únicos hóspedes por lá.

Quase meia-noite, de Porto Alegre, me chamam ao telefone. Era o Marquinhos Dvoskin, dizendo que o seu Maurício, que estava em família comemorando o Natal, queria falar conosco.

A conversa foi emocionante! Um lenitivo para quem estava longe de casa.

Um telefonema de amigos era tudo o que gente precisava. Falaram conosco o seu Maurício, o Nelson, o Pedrinho, todos vibrando com a nossa conquista de, naquele dia, durante o Sala de Redação, a Gaúcha ter falado em tempo real do Uruguai.

Essa confraternização nos fez muito bem. Eu e o Holmes fomos à ceia de Natal, com a alma lavada.

Dias depois, 31 de dezembro, tudo igual.

A gente já não estava tão só. Haviam chegado a Montevidéo o Ruy, o Pedro Ernesto, o Roberto Brauner, o Darcy Filho, o Wianey Carlet… além das  seleções dos países que tinham conquistado a Copa do Mundo, e a imprensa esportiva desses países.    

Depois de um dia duro de trabalho, de idas e vindas ao estádio Centenário, à concentração do Brasil, em los Aromos, à sede provisória da Fifa, em Carrasco, retornei ao hotel.

A cena se repetiu!

Telefonema pra mim. Fui atender, era o Marquinhos Dvoskin, dizendo que o seu Maurício queria falar comigo.

– Gordinho – disse-me ele –, separa uma grana aí, fecha um bom restaurante, convida a imprensa brasileira e festejem o Ano Novo. Tudo por nossa conta.

Assim foi feito!

Pela madrugada, quem passasse pela Praça Cagancha, no centro de Montevidéo, não entenderia nada. Lá, brasileiros e uruguaios, na sua maioria “borrachos”, abraçados, cantavam Feliz Ano Novo. Foi uma festa!

Seu Maurício, uma figura humana da melhor qualidade!

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