Por Jayme Copstein A Justiça Federal de São Paulo acaba de decidir – de uma vez por todas, espera-se – ser o exercício profissional do jornalismo prerrogativa de quem tenha diploma universitário específico.
Algumas liminares têm sido concedidas por juizes desavisados, aqui e ali, sob o argumento de que não se pode cercear a livre manifestação do pensamento. É a mesma confusão entre atividades de jornalismo e o exercício profissional do jornalismo que existiu no arquivado projeto do Conselho Federal.
O complexo processamento da notícia, desde a coleta da informação até chegar ao público através dos jornais, do rádio, da tevê, exige capacitação técnica e ética de envergadura só propiciada por cursos universitários. O que alguém pensa, contra ou a favor de qualquer questão, pode ser expressado livremente em qualquer meio de comunicação, no generoso espaço concedido a leitores, ouvintes e espectadores, quando não couber nas seções reservadas aos colaboradores efetivos do veiculo.
Não é o que alguém acha sobre como as leis deveriam proteger direitos e coibir abusos e ilegalidades que o autorizam a envergar a toga de magistrado. Vale o mesmo para o jornalismo.
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Notável em toda a atual crise brasileira é o papel desempenhado por esse cidadão Marcos Valério, de repente surgido do nada como um bonequeiro que transforma políticos de todas as origens em meros mamulengos, movidos a dinheiros espúrios.
Marcos Valério sequer é publicitário. Não passa de um agenciador de serviços que encontrou o filão generoso dos chamados homens públicos, da mesma maneira que Geane Maria Córner descobriu o filão generoso das chamadas mulheres públicas.
Parece ter sido uma questão de “filling”, como se diz em inglês. Tanto Marcos Valério poderia ter optado pelas mulheres, como Geane pelos homens, dava no mesmo. Esses homens e mulheres eram públicos e público também o dinheiro alcançado, sem nada a ver com preferências sexuais.
Mas o extraordinário não são os trocadilhos que se possa fazer a respeito. O extraordinário é a falta de respeito com todos nós porque, passado meio ano desde que o escândalo estourou, o único punido foi o denunciante Roberto Jefferson. Os demais, o petista José Dirceu à frente, agora com a coadjuvância do
tucano Eduardo Azeredo, continuam protagonizando a Ópera dos Vivos, que era
como se chamava o espetáculo de mamulengos no Brasil Colonial.

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