Por Antonio Oliveira A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) está de parabéns pela realização do III Seminário A Imprensa Gaúcha, que neste sábado, com auditório lotado – grande maioria de estudantes de Comunicação Social – teve como painelistas representantes de seis emissoras de rádio de Porto Alegre. Examinaram os temas “Economia e Isenção Jornalística – A isenção pode existir na relação entre veículos e patrocinadores? Qual o caminho ético correto?” e “Imprensa & Social – A imprensa tem o papel de influir na busca de uma realidade social mais justa ou só divulgar os fatos?”.
Pena que, num ano de eleições, a ARI não tenha incluído como tema o jornalismo político. Alguns dos expositores preocuparam-se mais em falar sobre as emissoras onde atuam e menos sobre os temas propostos. Mesmo assim, o debate foi bom, com intensa participação dos estudantes. Deveria ter maior presença de profissionais.
A nota negativa ficou por conta do representante da Rádio FM Cultura, Rodolfo Rospide. Depois de admitir publicamente que está respondendo a duas ações – dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas – por não ter qualificação profissional para exercer o cargo para o qual foi indicado pela atual administração do Estado, decidiu atacar os profissionais que atuavam na FM Cultura na administração anterior.
Após falar que atualmente a FM Cultura é maravilhosa e que não há discriminação partidária e ideológica na sua programação, afirmou, como um verdadeiro filhote político do senador Bornhausen, que na administração anterior “aquela gente” que estava lá era “uma panela”. Confirmou assim o que muitos já sabiam, que é uma pessoa despreparada mesmo para exercer o cargo que exerce, social e profissionalmente.
Questionado para que esclarecesse à platéia por que seu nome é contestado publicamente, por desqualificação e incompetência profissional pelo Conselho da Fundação Piratini, pelos Sindicatos dos Jornalistas e Radialistas, e pelos servidores da FM Cultura, não respondeu. Para tanto, utilizou-se da parcialidade do moderador da mesa, o presidente da ARI, Ercy Torma, que repetiu várias vezes a ele “você só responde se quiser, pois isto não faz parte do tema em debate”.
A direção da ARI e os organizadores do seminário têm que prestar mais atenção quando da escolha dos painelistas. Para levar pessoas qualificadas. Não foi o caso com Rospide.
Outra afirmação feita por um dos painelistas foi de que a emissora em que trabalha não dá bola para o furo jornalístico, que ninguém mais liga para isso. Uma bobagem. A emissora não dá bola para furo jornalístico só se não tiver profissionais capazes para fazer um jornalismo competente. E dizer isto para uma platéia de estudantes é de uma retumbante inabilidade. Qualquer neófito no tema sabe que o furo, a matéria exclusiva, é a água que move o moinho do dia-a-dia do bom jornalista. Profissional de rádio, jornal e revista que não viver na busca permanente da matéria exclusiva tem que se aposentar ou mudar de atividade.
No próximo sábado os mesmos temas serão abordados, a partir das 9h, por representantes dos cinco jornais diários, mais um representante dos jornais de bairro.

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