No futebol de várzea, com direito à cópia nos campinhos da infância, esta expressão cabia quando o time adversário – geralmente quando estava perdendo – apelava para o jogo ríspido e desonesto. Eufemismo para “bater”, “entrar arrochando”, “da canela para baixo tudo vale”. Havia sempre dois vencedores: o do placar numérico e o da violência. Dependendo do lugar, melhor mesmo era o empate. Do contrário, sair vencedor – normalmente na casa do adversário, constituía-se num perigo extremo, mormente para pacifistas ou “guris de apartamento”.
Pois abriram o açougue contra a imprensa. O pau está comendo solto. Em Garibaldi, em Bagé, na capital Federal, em Roma e em outros cantões.
Talvez tenhamos que instituir adicional de periculosidade aos proventos destes profissionais. Se bem que não há dinheiro que pague a honra, a integridade física e até mesmo a vida. Então, esqueçamos o adicional de periculosidade e vamos falar apenas dos tempos difíceis que vivemos.
Semana passada, um jornalista viu-se envolvido num embate que tornou-o exposto à sanha dos que foram alvos de suas reportagens. De Bagé, vem a demonstração de um prefeito que parece acostumado a métodos pouco ortodoxos. Não me refiro às questões da honestidade, pois nem sei se é mesmo culpado. Mas que em relação às matérias que foram veiculadas em grandes veículos e portais nacionais, sua melhor defesa foi agredir verbalmente quem, a partir de atos do Ministério Público, realizou a matéria. E o expos a perigos. Abriu o açougue. E contra o mensageiro!
Em Garibaldi, abriram o açougue e o frigorífico também: supostamente por ter veiculado notícias contra ex-prefeito, jornalista foi agredido em frente à emissora. Como foi aqui perto, a repercussão é maior entre nós. Mas em muitos outros lugares deste Brasil – e do mundo, estas reações não raras vezes acabam muito mal. Para os jornalistas. Quem não lembra de Tim Lopes?
E não nos iludamos. Enquanto a cultura do ódio não arrefecer, nada mudará. E poderá piorar neste ano de eleição. Todos sabem do que falo, e falo, sim, de um governante que estimula o ódio à imprensa. Aliás, propõe e pratica ódio à imprensa. Assim não pode continuar.
Jornalistas precisam de defesa, pois abriram o açougue.
Iraguassu Farias é diretor Comercial de Coletiva.net.


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