Por Marcelo Coutinho A queda de circulação dos jornais é anterior à internet. O que fazer?
Nos últimos meses, diversas pesquisas apresentaram dados não muito animadores para os jornais impressos, acompanhadas de prognósticos pessimistas feitos, entre outros, por Rupert Murdoch, Martin Sorrell (CEO do grupo WPP), Anthony Ridder (presidente da Knight Ridder) e a revista The Economist.
Recentemente, o grupo Daily Mail and General Trust, proprietário do Evening Standard, um dos mais tradicionais diários ingleses, anunciou o fim de suas operações offline.
Segundo dados da Associação Mundial de Jornais, o número de cópias por mil habitantes vem caindo de maneira consistente nos principais mercados e de maneira ainda mais acentuada no Brasil. Veja os números na tabela ao lado.
A internet é apontada como a maior culpada por esta redução, mas a verdade é que ela representa uma grande oportunidade para as empresas de mídia tradicional, desde que elas respeitem a nova lógica da rede.
Em meados dos anos 90, era comum ouvir a frase “conteúdo é o Rei”, (content is King), raciocínio que via a web como mais um canal de distribuição de conteúdo, “operando” sob a mesma lógica dos demais canais: desenvolva um conteúdo adequado, divulgue-o, atraia audiência e atrás dela virão os anunciantes.
Dez anos se passaram e os avanços de hardware (oferta e redução de preço da banda larga) e software (facilidade de edição e publicação de conteúdo escrito e áudio-visual, como blogs, podcasts, MP3 etc.) transformaram a rede em algo bem diferente: uma plataforma de prestação de serviços.
Nesse novo ambiente, o relacionamento entre consumidores de conteúdo e as marcas editoriais não é necessariamente determinado pelo impacto das mesmas em termos de exposição publicitária ou competência técnica (o antigo “furo”, por exemplo), posto que a informação pura e simples se tornou uma commodity.
Quando estamos falando de uma plataforma de serviços, tão ou mais importante quanto a credibilidade e a divulgação da marca editorial é a capacidade que ela possui em prover os consumidores com algo que eles consideram útil.
No caso dos internautas, a capacidade de se manter em contato com pessoas conhecidas ou de conhecer novas pessoas com interesses comuns, sugeridos, mas não necessariamente “pautados”, por um grupo de profissionais da opinião.
Essa dinâmica ajuda a entender o fenômeno dos blogs, alguns dos quais já possuem mais leitores que jornais inteiros. São feitos por “equipes” reduzidas (geralmente um jornalista com dois ou três assistentes), sem custo de impressão e distribuição.
É claro que os jornais de papel não vão desaparecer, mas a aceleração do seu declínio, que nos países mais desenvolvidos já vinha acontecendo antes da internet, mostra que muitos grupos de comunicação ainda não entenderam a nova lógica de uso da rede. Não é necessário parar as rotativas. Mas é preciso acelerar os servidores.


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