Por Bolívar Gomes de Almeida
Discordei frontalmente de comentaristas de um programa matinal de rádio palpitando acerca da política externa do atual governo brasileiro. Quem estuda o tema, e não parece ser o caso dos comentadores radiofônicos, percebe o acerto, cujas consequências benéficas o conjunto da nossa população recebe, em especial a faixa historicamente ‘esquecida’ pelos governos anteriores, exceto o de Getúlio Vargas.
Quando estes comentaristas afirmam ser negativo para os interesses nacionais o modo como o Itamarati conduz a política externa, admitem o quanto prefeririam a subserviência anterior. Mesmo no segundo governo Vargas, houve imposição, como demonstra Josué Guimarães no livro As Muralhas de Jericó. Naquele caso, o Brasil tinha uma oportunidade rara de vender para a URSS em condições mais favoráveis do que vendia para os EUA e Europa. O mesmo para as compras. O Brasil foi obrigado a suspender as negociações, pelo nosso ‘amigo’ Tio Sam.
Estou citando apenas um caso, naquele governo. Poderia citar diversos episódios similares, em quase todos os governos. Se hoje temos uma posição respeitada no concerto internacional, é graças à diversificação da clientela. Qualquer empresário, comerciante, industrial, agricultor, por mais chinfrin, sabe que algo a evitar é a dependência do comprador único (ou quase), o mesmo valendo para fornecedor. Isso é ignorado pela quase totalidade das emissoras de rádio e TV, jornais diários e revistas, como a Veja.
Só uns poucos – não por acaso aqueles que buscam saber mais e vão atrás não só da informação como também da formação, só dada por bons livros – formam a exceção que confirma o dito popular. Será demais solicitar aos senhores comentaristas radialistas que leiam algo além de jornais diários? Há bons livros, editados no Brasil e fora, de autores de diversas correntes de pensamento. Não dói, disso tenho certeza… Neles aprendemos quanto perdeu nosso Brasil pela dependência ante a Inglaterra e seu sucessor, os EUA. Por eles, somos informados o quanto cresceu nossa economia exatamente pela busca de parceiros comerciais fora da mesmice que nos caracterizava desde os tempos coloniais. Claro, isso obriga a trabalhar, a pensar, o que ofende a quem gosta de viver do trabalho alheio…e de mamar nas tetas governamentais.
Caso haja interesse em leituras, para tornar mais de acordo com a realidade tais comentários, poderei contribuir. Só para iniciar, posso indicar “As Cruzadas Vistas Pelos Árabes”, do historiador libanês radicado na França, Amin Maalouf, Editora Brasiliense. É um dos tantos a desmentir a existência de inimizade ‘desde a antiguidade’, como afirmaram os senhores comentadores, entre judeus e árabes.

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