Por Milton Coelho da Graça
Pelo terceiro mês consecutivo, o mineiro Supernotícia se mantém como o jornal de maior circulação no Brasil. Mas a glória também tem seus problemas em época de crise econômico-financeira global: o dólar subiu, o papel de jornal também subiu para mais de 900 dólares a tonelada e, portanto, num cálculo bem por cima, só em papel o Supernotícia deve estar gastando mais de metade de sua receita de circulação –
O problema não é exclusivo do Supernotícia. Tanto jornais gratuitos como os pagos populares de todo o país (e, provavelmente, de todo o mundo) fazem contas apressadamente para antecipar o ponto de equilíbrio mínimo em cada caso.
O Dia, do Rio de Janeiro, está desenvolvendo um projeto com o qual pretende reduzir custos – especialmente papel – e, ao mesmo tempo, recuperar seu antigo posto entre os de maior circulação do país. Durante os últimos meses, a queda nas vendas tem sido constante e, segundo os mais recentes dados do IVC, em alguns dias de semana, a média baixou a menos de cem mil exemplares, o que nunca acontecera nos últimos 30 ou 40 anos do jornal. A ironia é que Meia Hora, lançado pela mesma empresa em 2005, sob a estratégia de defender o mercado carioca para jornais populares enquanto O Dia buscava enfrentar O Globo entre os leitores de maior poder aquisitivo, hoje supera as previsões de cirrculação e receita, tornando-se o principal produto da casa.
A mudança do formato de O Dia – para um tablóide entre Lance e Jornal do Brasil, mais ou menos parecido com Zero Hora – está sendo preparada em uma sala reservada na redação. Simultaneamente, uma empresa especializada americana trabalha na reforma da rotativa (a um custo aproximado de um milhão de dólares) e que só estará terminada no próximo mês de março.
O problema imediato é que os rumores de passaralho* iminente tornaram-se o tema principal na Rádio Corredor do jornal e o sindicato começa a se movimentar, embora o sucesso de Meia Hora e o investimento na reforma industrial sejam indícios da confiança da empresa no projeto de mudança e de suficiente bala na agulha para enfrentar estes tempos de crise.
*Pássaro negro com bicão vermelho, que, desde a República Velha, é visto em redações anunciando, com voz de Chico Buarque: “isso aí vai dar merda”…
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