Por Vilson Antonio Romero
O calendário reserva 28 de outubro para a comemoração do Dia do Servidor Público. Neste e em muitos anos anteriores, apesar disto, nada ou muito pouco há a comemorar. A grande massa de funcionários federais, estaduais e municipais, dos Três Poderes, com raras exceções, vive sempre momentos tormentosos e preocupantes. No âmbito federal, apesar de algumas reestruturações de carreiras, os funcionários continuam sofrendo os efeitos do ajuste das contas públicas, comprometido com os organismos internacionais, e da busca constante de superávits primários. Não é diferente a situação nos estados e municípios, em todo o Brasil. Quase tudo atinge o ânimo e o bolso do servidor, diminui cada vez mais o contracheque, o final do mês chega sempre mais cedo.
As perspectivas para o próximo ano não são das melhores. Todos os candidatos tanto à presidência da República quanto ao governo dos Estados falam em ajustes, reformas e cortes de direitos e conquistas. Qualquer que seja o partido dos governantes, o que se percebe é que quase sempre só dois instrumentos são usados para reduzir o déficit público: o achatamento das aposentadorias (na União, inclusive as do INSS) e da folha de salários, devidos ao fato de que aí mais facilmente podem ser feitos os cortes, permitindo também discursos demagógicos aos gestores da coisa pública. Apesar da maior ou menor transparência no trato da questão, seja o mandatário do PT ou do PSDB (só para citar os partidos diametralmente opostos), não se vê perspectiva favorável a curto prazo, a não ser o possível serviço público minguando, já sinalizado com as terceirizações, estágios, etc…
Ao mesmo tempo, nós, cidadãos com nossa excessiva carga tributária em dia, continuamos desejando um Estado ágil, eficaz e cumpridor de suas obrigações, permitindo criação de postos de trabalho, melhores condições de saúde, mais verbas para a educação e uma estrutura de segurança pública que tranqüilize a cidadania, entre outras providências. Sabemos quão difícil é motivar servidores constantemente culpados pelas mazelas desta Nação, indivíduos, pais e mães de família com saldos devedores aumentando no banco, com os filhos em casa clamando por comida, escola e remédios. Mesmo assim, saudemos os abnegados, os responsáveis, a grande maioria que ainda sorri ao atender o cidadão do outro lado do guichê, aqueles que ainda fazem, apesar de tudo, um serviço público de qualidade. Servidor público, um feliz dia!

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