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Artefatos da cultura digital e o reconhecimento de padrões

Por Adriana Amaral A cultura digital, objeto de especializações na área da comunicação, tem chamado a atenção para uma série de fenômenos relativos ao &#82

Por Adriana Amaral

A cultura digital, objeto de especializações na área da comunicação, tem chamado a atenção para uma série de fenômenos relativos ao universo da comunicação mediada por computador e pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Vivemos um momento em que o simples e o complexo dos comportamentos humanos ganham relevância na publicização cotidiana e na visibilidade das postagens em redes sociais. Debates acalorados sobre vários assuntos, notícias e informações (verídicas ou não) circulam, se espalham e desaparecem com uma velocidade muito grande. Mobilizações sociais e empatia com causas nascem e morrem em questão de dias e o agendamento da vida das celebridades é discutido em seus contornos mais patéticos.

Nada disso é novidade na conduta e nas ações das sociedades. O sociólogo Edgar Morin, por exemplo, já nos lembrava da importância do boato e da fofoca em uma de suas obras. Mas o fato é que as plataformas de redes sociais nos dão um retrato inconstante de padrões de comportamento humano que sempre nos acompanharam. Contudo, a partir do compartilhamento de fotos, vídeos, músicas e comentários, a todo instante, através dos celulares – práticas culturais tendem a ficar mais visíveis para além do bem e do mal.

A pesquisadora da Universidade do Kansas, Nancy Baym, comenta que um dos principais erros em relação à análise da linguagem da internet e das culturas a ela relacionadas é compará-la com a linguagem face a face. Essa comparação gera apenas um discurso estéril que coloca o fator presença como mais “autêntico” na habilidade de representar sentimentos e emoções, desconsiderando outros modos e habilidades comunicacionais como, por exemplo, o compartilhamento de conteúdo multimidiático (músicas, textos, imagens etc) e o uso criativo de emoticons (sinais gráficos que representam expressões como sorrisos, irritação, afeto, entre outros).

Outra “acusação” contra esse tipo de forma comunicacional reside nas atualizações de status no Facebook ou tweets. Seria a irrelevância informativa no qual um debate interminável constitui uma conversação (ou muitas vezes um mero monólogo observado e respondido por replys e comentários) sobre trivialidades e irrelevâncias do cotidiano. É justamente essa “irrelevância” das informações e conversações postadas que nos ajuda a compreender atitudes de nossa essência como indivíduos ou sociedade, demasiadamente humanos. Ou o que o antropólogo Michael Bell chamou de “talking shit“ nos anos 70, aquelas conversações onde um assunto é substituído pelo outro com rapidez e que caracteriza ambientes como bares, por exemplo. Esse tipo de fala que aparece de forma completamente aleatória e sem profundidade, tecendo uma matriz comunicacional em fluxo que pode nos dar pistas sobre disputas simbólicas, hierarquias e códigos de conduta mais arraigados em nossas culturas do que imaginamos.

Tais artefatos e a performatização gerada por eles, nesses contextos de sociabilidade na web, apenas confirmam a importância dos estudos sobre a cultura digital e sobre as redes sociais como elementos ricos de significados e sentidos no âmbito da sociedade contemporânea. Afinal, antropólogos e historiadores que se dedicarem a refletir sobre o início do século XXI provavelmente os tomarão, enquanto artefatos que descrevem as transformações que hoje vivemos, tão importantes quanto o papel, a eletricidade e a televisão, por exemplo.

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