Não consigo me conformar com a condenação pura e simples daqueles que, confinados há cinco meses, aproveitam o final de semana ensolarado para ficar ao ar livre. Como jornalista considero covardia a generalização que sempre é um instrumento injusto.
A pandemia deveria funcionar como instrumento de convergência, mas só aumentou a radicalização em que caracteriza o Brasil. Pessoas com poder de influenciar a opinião de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas mudam de posição com a frequência com que mudam de roupa, apenas por conveniência.
Até a chegada da milagrosa vacina ouviremos muitos absurdos que soam como verdades absolutas na atualidade. “O tempo é o senhor da razão” reza o ditado que vai mostrar o tamanho dos equívocos e da manipulação que começou em dezembro, na China.
Depois de comemorar o ano novo, milhões de cidadãos daquele país saíram mundo afora sob o olhar conivente da Organização Mundial da Saúde que não teve coragem de cobrar informações, dados e estudos. Aliás, é uma entidade hesitante que emite opiniões conflitantes periodicamente quando deveria ser o sustentáculo diante da crise.
Cientistas foram ouvidos com atenção somente depois que inúmeros experimentos – especialmente em nosso país – não surtiram efeitos. Política, interesses comerciais e segredos industriais pautaram a gestão da crise mundial no início do fenômeno. Aos poucos, como a doença resistia ao empirismo a obsessão pela vacina tomou conta do imaginário de todo o mundo.
Muito se fala do “novo normal”, um dos termos que a pandemia cunhou ao longo destes quase seis meses. Muitas práticas serão revistas, inovadas e reformuladas. Parece, no entanto, que a empáfia de boa parte da imprensa não muda. Como empresas que precisam de lucro para sobreviver, os grandes veículos misturam interesse comercial – e políticos – e relutam em alterar suas estratégias temendo serem tragados pelo fracasso.
A perda de ouvintes, leitores e telespectadores é vital para manter empregos. Se no começo da pandemia o mote era “empresário: não demita… vai passar”, as empresas de comunicação fizeram centenas de demissões. Ignoraram seu próprio conselho. Afinal, conselho é bom… para os outros…, esquecendo do conselho de que, como sempre, “é bom para os outros”. Aos poucos, a pandemia vai desnudando mitos, impondo o uso de máscaras e fazendo outras caírem.
Gilberto Jasper é jornalista.

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