Por Bruno Rodrigues Às vezes acho que devia comentar mais as sensações que tenho. Sobre o que vai ou não acabar com a internet, por exemplo. Há alguns anos, ao conversar com um amigo sobre o velho clichê “será que a web vai matar o impresso?’, sentenciei: “só quando doer no bolso’. Não sou nenhum Nostradamus; treze anos no mercado de mídia digital foram capazes de me passar uma coisa ou outra por osmose – uma delas é a capacidade de enxergar o óbvio.
Nas últimas semanas, o mercado de Comunicação começou a sentir os efeitos da crise financeira. Sei de pelo menos duas grandes empresas (uma brasileira e outra francesa) que cortaram todos seus veículos internos impressos e os trocaram por versões online – ou ordenaram que fossem criadas, caso ainda não existissem. No reino das bancas, a tradicionalíssima “PC Magazine’ dos EUA terá seu último número em papel
[“Descontinuar’ é um termo tão usado hoje, não? Imagine se pega. “Estou descontinuando uma relação de dez anos’, dirá um amigo. Ou “vou tentar mais uma vez descontinuar meu vício de vinte anos’, referindo-se ao cigarro. Pensando bem, esquece – descontinuemos o assunto].
Como tanta mortandade de veículos, o que poderia desencadear uma guerra civil pelo direito dos impressos acabou por esvair-se no impensável: na maioria casos citados, ninguém perdeu o emprego. Quando houve cortes, foram poucos perto do que poderia se esperar.
No geral, o que mudou no cenário das revistas? Primeiramente, é claro que um dia os custos gráficos estratosféricos iam trombar com os valores bem mais em conta do meio digital. Além disso, mudou a percepção de que uma revista ou jornal não produz meio físico, e sim conteúdo, e que conteúdo pode trocar de mídia (agora é online) e manter os talentos (que sempre existiram). Em suma, a mensagem continua a fazer a velha viagem emissor/receptor, mas usando outro caminho.
Meu recado para as agências de Comunicação: comecem a mudar o discurso com os clientes – o que o mercado produz com qualidade é conteúdo, e isso não depende em nada do papel. Proponha uma tiragem impressa mínima para os públicos que, por um motivo ou outro, o meio digital não seja o indicado, e abrace a causa online.
Sou suspeito por fazer esta afirmação de forma tão categórica? Sou, sim. Mas sou consultor, é esta é minha função – dizer a verdade, doa a quem doer.

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