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Por Glauco Fonseca Por incrível que pareça, grandes grupos como Globo, Bandeirantes, Estadão e outros menos destacados não se deram conta de que sempre …

Por Glauco Fonseca

Por incrível que pareça, grandes grupos como Globo, Bandeirantes, Estadão e outros menos destacados não se deram conta de que sempre serão eles as primeiras vítimas se porventura houvesse um golpe de direita ou uma “revolução” de esquerda. A esta altura, deveriam ter criado uma “cola” ética mínima, um conjunto de preceitos comuns para se posicionarem não diante de um partido, um candidato ou uma ideologia, mas sim contra um método manjado, aplicado por matizes fascistas e comunistas em todos os cantos do planeta. Depois de tudo que já viram ou passaram, os grupos jornalísticos que prezam as conquistas democráticas de verdade, as liberdades individuais, o estado de direito, a liberdade de expressão e de manifestação deveriam estar mais do que minimamente grudados uns aos outros, pelo menos para contrapor grupos que desejam exatamente o contrário. Seria quase como uma obrigação, algo que honrasse o jornalismo enquanto missão e ofício.

Nem sinal de acontecer.

Muitos ainda não caíram na “real” nem se deram conta de que os ataques que o PT desfere contra a Veja são ataques não contra a revista ou o Grupo Abril, mas contra o que todos eles deveriam, supostamente, defender. A Revista Veja vem sendo uma espécie de sentinela, muitas vezes solitária, de um conjunto de coisas muito valiosas a todos os cidadãos e, acima de tudo, aos veículos de comunicação.

Ver que a Globo é discretíssima na exposição de Sérgio Cabral e suas bandalheiras com fornecedores de serviços públicos não é apenas ruim para a Globo ou para os milhões de telespectadores que nela confiam. É erosivo para todos os demais veículos, que deveriam atrelar sua prosperidade, pelo menos essencialmente, não a contratos asquerosos com governos, mas substancialmente a compromissos e valores muito mais consistentes.

Há, entretanto, que fazer concessões. Não podemos reivindicar que a verdade e a ética sejam características do grupo do Bispo Macedo. Também não se pode contar com a isenção de um outro grupo cujo dono recebeu bilhões na venda nebulosa para a Caixa Federal de um banco falidérrimo. Encontraremos a isenção em Paulo Henrique Amorim, em Luiz Nassif, em Mino Carta? São esses os baluartes das melhores práticas jornalísticas? Por certo que não.

Se o jornal é virtual ou de papel, não faz grande diferença. A grande diferença será sempre o valor que os leitores dão para aquilo que leem. Se o que lhes for apresentado for lixo, pararão de consumir cedo ou tarde. Se a TV é aberta ou fechada, vai depender de sua reputação e não meramente de tecnologias. Se o rádio é AM, FM ou onda curta, importa menos diante das vozes que ele propaga. Se forem vozes da liberdade, ela sempre tem de estar no ar.

Até, é claro, que surja um Fidel Castro ou um Pinochet, um Chávez ou uma dupla de Kirschners. Tanto faz. A história só se repete como farsa, mas se repete.

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