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Big Brother (ou Sister) de verdade!

Por Antonio Bavaresco Se tem uma coisa que a Globo aprendeu com seus muitos anos de liderança na audiência foi justamente como usar essa …

Por Antonio Bavaresco

Se tem uma coisa que a Globo aprendeu com seus muitos anos de liderança na audiência foi justamente como usar essa imensa plateia para defender seus próprios interesses ou para defender os interesses de quem ela deseja. É aquilo que os especialistas chamam de “Gerenciamento de Crises”, que ela faz como ninguém. Nas últimas semanas, os telespectadores brasileiros foram brindados com dois desses momentos em que a Globo tratou de usar a Globo para defender os interesses da Globo, ou por outra, de duas de suas “estrelas”, se é que o conceito cabe aqui.

A modalidade de “entrevista interesseira”, ao invés de “entrevista interessante”, foi inaugurada com o ator Fábio Assunção, falando sobre seus problemas com as drogas e mais recentemente adotada com Reinaldo Gianechini, quando descobriu estar com câncer. Mas ganhou força mesmo com a “bombástica” entrevista de Carolina Dieckmann, defendendo-se da invasão de privacidade que ela própria proporcionou ao expor momentos íntimos – e põe íntimos nisso!!! – em e-mails hackeados por especialistas de fundo de quintal. Sem entrar no mérito sobre a qualidade das fotos – diga-se de passagem a maior parte delas bem artísticas e muito bonitas –, prefiro me deter na entrevista que a Carol deu à co-âncora do JN, Patrícia Poeta. As duas foram responsáveis por um momento de rara beleza na telinha, mas o conteúdo da “exclusiva” só não foi mais sumário do que o figurino da atriz nos referidos instantâneos.

Apesar disso, o estratagema parece ter rendido frutos em forma de Ibope e a Globo não tardou em recorrer ao mesmo expediente, só que agora no Fantástico, quando sentiu que outra de suas beldades – essa uma balzaquiana clássica – estava ameaçada. Aqui é preciso contextualizar a ameaça concretizada na forma de fotos nada edificantes divulgadas semanas antes pelo programa Domingo Legal, de Gugu Liberatto, na Rede Record, depois de uma acirrada pendenga judicial. Sem ter como – ou sem querer – responder ou justificar os flagrantes um tanto comprometedores, restou à Xuxa Meneghel “apelar” para a “entrevista” em que, “do nada”, resolveu revelar ter sido abusada, quando criança.

Desnecessário questionar porque a dublê de apresentadora infantil e cantora demorou tanto tempo para fazer a revelação e por qual razão a fez em momento tão oportuno para a manutenção de sua imagem de boa moça. Vá saber… Imprescindível reconhecer a dor e o constrangimento que ela deve ter passado, assim como impossível não sentir náuseas pela atitude do abusador, que aliás merecia ser investigado e, se possível, processado, na forma da lei.

Meu interesse aqui, porém, é flagrar a coincidência de táticas, que aparentemente revelam um padrão a ser adotado pela emissora sempre que um de seus astros estiver na berlinda. Preparem-se para as cenas dos próximos capítulos, que os brothers ou sisters já estão escalados. Quem sabe a Luana Piovani e seu dedinho desaforado não precisam de uma suavizada na imagem? Bota ela prá falar no JN sobre sua difícil vida de adolescente de 30 anos. É isso aí.

Nada de vida imitando a arte. Dá muito mais Ibope quando a vida imita a vida!

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