Por Nilson Mello Entre as lições que se podem tirar das eleições do último domingo está a confirmação de que o brasileiro, em sua maioria, ainda tem pouco acesso à informação e reduzido senso crítico. E que, mesmo quando lê jornais e procura se informar, não é capaz de fazer um juízo preciso dos fatos e uma escolha coerente com suas próprias expectativas de um país melhor.
Não deve haver outra explicação para que o índice de renovação do Congresso, de 46%, tenha sido o mais baixo desde 1994, a despeito de todos os escândalos que pontuaram a atual legislatura – já considerada a mais corrupta da história republicana, com mensaleiros, sanguessugas e outros casos escabrosos.
Candidatos sobre os quais pairam fortes suspeitas – para dizer o mínimo – de envolvimento nesses recentes episódios conseguiram a recondução. A frustração daqueles que nutriam a esperança de uma vigorosa renovação é ainda maior quando se constata que parlamentares diligentes na apuração dos desvios e tentativa de punição dos culpados foram relegados pelo eleitor – casos, por exemplo, de Antônio Carlos Biscaia (PT/RJ) e Carlos Sampaio (PSDB/SP).
Vá lá que alguns políticos sob investigação não tenham sido reeleitos. Mas diante do grande número daqueles que conseguiram voltar, não chega a ser uma vitória do voto contra o mau mandatário. Parece quase uma escolha aleatória do sufrágio, não um crivo eleitoral operado por uma democracia madura.
Para piorar, teremos excentricidades como Clodovil – que confessa nada entender de leis ou de vida pública -, eleito com votação massiva em São Paulo. Além da reestréia de figuras como Paulo Maluf e Fernando Collor de Mello – o ex-presidente cassado e que hoje conta com o incentivo explícito do presidente Lula, para quem o senador de Alagoas fará um excelente trabalho no Congresso. (Pensando bem, Collor, com seu discurso messiânico, tem o perfil adequado para liderar a bancada governista em um eventual segundo mandato petista).
Pois bem, como aperfeiçoar o voto e melhorar a qualidade do eleito, a fim de preservar o regime democrático, talvez seja um dos maiores desafios da sociedade brasileira. A solução passa pela panacéia preconizada por Cristovam Buarque: se investirmos em Educação, teremos uma classe política melhor – e um país melhor.
Mas, ainda que tomemos a decisão certa no presente (apostar na Educação, prioritariamente), o que por si só já seria uma grande vitória, os resultados somente serão alcançados a médio e longo prazos.
Por enquanto, a única certeza que temos revela-se, oportunamente, na propaganda da Justiça Eleitoral: “O Brasil é tão bom quanto o nosso voto”. Sem que isso seja um consolo!

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