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Caldeirão de bobagem

Por José Pedro Jobim Fontoura Os índios – por falta de recursos e resistência – de fato, não tiveram qualquer chance contra os portugueses. …

Por José Pedro Jobim Fontoura

Os índios – por falta de recursos e resistência – de fato, não tiveram qualquer chance contra os portugueses. Na democracia do mais forte, a história nos conta que sempre o colonizador é triunfante frente ao colono, nunca o contrário. É questão de lógica, logicamente.

Jornalisticamente falando – sabe-se lá o que isso quer dizer realmente – o jornal se tornou um espaço, um meio meramente colono. A publicação do artigo intitulado “Pensamento quase póstumo”, escrito pelo apresentador de TV, mais conhecido como o marido da Angélica, Luciano Hulk, no início desta semana pelo jornal Folha de S. Paulo, é uma piada. E das boas. Hulk, logo de início, já se equivoca. Não faz parte das estatísticas. No Brasil, não chegam a 1% os cidadãos que têm o privilégio de ter um Rolex roubado.

Hoje, acredito, deve ser feriado em São Paulo e as crianças do ensino fundamental da cidade devem estar escrevendo frases de apoio nos murais de suas salas de aula com mensagens positivas para o drama que vive o apresentador do “Caldeirão dó Hulk”. A piada segue. No texto de conteúdo sofrível de Hulk, ele ainda lembra que, se o assalto tivesse acabado na pior das resoluções, ele apenas seria lembrado com homenagens póstumas nos jornais, entre elas, inclusive, uma estaria no Caderno de Cultura. Gargalhei.

A todo vapor, quase que lembrando aquelas piadas de “argentinos, portugueses e brasileiros” – onde se ri de fato aos poucos, por etapas -, a comédia segue com a reprodução do artigo na edição desta quarta-feira (3/10) no jornal de maior renome no Rio Grande do Sul. Está lá, página 40. Estragou meu café da manhã. Nada contra a Folha de S. Paulo, muito menos contra a Zero Hora, a nossa Folha de Porto Alegre. Aprecio ambos os jornais, em particular, a sessão de quadrinhos. Mas, na hierarquia do jornalismo, mais uma vez o periódico gaúcho foi colono. O conteúdo do artigo, independente se você é apreciador do trabalho de Luciano Hulk ou se apenas vê seu programa por causa da Dani-Bananinha, é ridículo, uma afronta aos milhares de brasileiros que nunca terão a oportunidade de, sequer, ter um Rolex.

Encerrando a piada com chave de ouro, o apresentador e, agora, cidadão inconformado e moralista, desses que pensa que atuar com uma ONG, ter um filho e pagar impostos é garantia de ala VIP no paraíso, alfineta até o presidente da República, segundo ele, “um presidente em silêncio”. Ora, na condição de comunicador, Hulk é no mínimo hilário lembrando a todos os leitores que, em certos casos, o melhor mesmo é ficar quieto. 

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