Por Tiago Russell Não posso me dar o luxo de escrever apenas como o Tiago. Há dois anos assumi a responsabilidade de ser vice-presidente do Clube e trabalhar em dupla com o Charles, e mais um bando de gente boa, para construir algo novo e recompensador para todos os nossos sócios. E desde então qualquer atitude pessoal ou palavra dita por mim (só errando eu fui aprender) acaba ganhando um tom oficial. Por isso estou aqui escrevendo como vice-presidente. E, mais uma vez, em nome do Clube. O Clube que a gente quer.
Nós, jovens, criamos o Clube em meio à apatia do mercado. O mercado estava dormindo e nós o alimentamos. Mas ele passou tanto tempo hibernando, que acordou com fome. Fome de novidade. Fome de aprendizado. Fome de responsabilidade. Fome de atitude. E este Clube que existe hoje, que nasceu alimentando nosso mercado, acabou sendo alimentado por ele.
Este é o Clube que a gente imaginava há dois anos? Não, com toda certeza não. Há dois anos, éramos bebês aprendendo a engatinhar. Não tínhamos idéia da repercussão das nossas ações. De como as pessoas reagiriam a “jovens querendo aprender e, pensando no futuro, acabar ajudando o mercado a crescer”.
Está no nosso estatuto, faz parte do nosso DNA. Crescer e amadurecer para nos prepararmos, para tornar o criativo mais responsável, o mercado menos inconseqüente e começar a girar uma roda inevitável: valorizando a base, gerando uma criação mais qualificada, aumentando a produtividade de todo o mercado para que ele possa, na regra, valorizar a própria base… Entre erros e acertos, começamos a girar esta roda. Porque este é o Clube que a gente quer.
Nos esforçamos muito para atingir este objetivo. Trabalhamos com foco, nos esforçando ao máximo com um grupo reduzido de pessoas. Gente que eu sou muito agradecido por ajudar a tornar o Clube real. Que doou braços, cérebro e coração sem se importar com o pouco tempo que a pauta das agências reservava para suas vidas pessoais. Porque estavam ajudando a dar início a uma história maior do que seus egos, suas olheiras e suas poucas horas de descanso.
O que me surpreendeu ao longo desta história foi a reação das pessoas. No início, tinha medo da maneira com que os mais velhos iriam encarar nossa atitude. Depois, de como as instituições poderiam encarar nosso nascimento. E até mesmo a reação dos donos das agências, que poderiam simplesmente não dar nenhum apoio nem se preocupar com o que um bando de jovens criativos estava pensando. Mesmo assim o Clube seguiu trabalhando. E o resultado foi de respostas positivas, com uma que outra exceção já superada com o tempo. Mas quando eu achava que estava tudo perfeito, a surpresa: alguns criativos começaram a pedir um clube menor.
Fizemos um evento para abrir este debate. Apenas 16 sócios compareceram. Entre os presentes, ninguém defendendo um clube menor. Ninguém argumentando a favor ou contra o atual momento do Clube. Ficamos, mais uma vez, ouvindo ao longe os ecos de pessoas que se dizem insatisfeitas, que se fazem ouvir de forma indireta, e talvez por isso não consigam se fazer entender.
Confesso que pelo menos eu não entendo, e este texto é justamente uma tentativa para tentar compreender isso. Um convite para que, mais uma vez, os criativos possam falar e discutir exatamente o que pensam, sentem e esperam. Uma liberdade de acesso que sempre foi regra entre os membros da diretoria. Nossos ouvidos estiveram e estão sempre abertos para quem quiser opinar, criticar e sugerir de forma clara, fundamentada e direta.
Sendo grandes, podemos seguir fazendo tudo o que nos propomos de forma ainda mais fácil. Continuamos debatendo os assuntos de interesse da criação. Continuamos nos esforçando para preparar e aprofundar cada evento individualmente. Continuamos buscando recursos para realizar o Young Creatives, inclusive conseguindo duplicar a participação gaúcha este ano. Continuamos lutando para promover o trabalho criativo. Continuamos fiscalizando e apoiando a realização dos Anuários de Criação. Continuamos fazendo tudo aquilo que foi proposto no nosso estatuto desde o primeiro dia… Sempre se preocupando com o Clube e os sócios em primeiro lugar, tendo o mercado como um todo se beneficiando num segundo momento. Porque o CJC está crescendo de forma organizada e sólida, sem desrespeitar suas atribuições básicas. Porque este é o Clube que a gente quer.
Começo a pensar que o CJC tenha que definitivamente perder o J de sua sigla. Talvez seja a palavra “Jovens” que tanto assusta nosso próprio público. Talvez seja hora de encarar o Clube como um clube de gente grande. Talvez só assim as pessoas consigam enxergar que crescer é bom. Que isso é resultado do esforço de todos nós em aprender, debater e se profissionalizar. De encarar de frente os problemas e limitações da nossa realidade, para ultrapassar estes limites. Talvez esta seja a única forma de mostrar que, se um clube de jovens consegue tanto espaço no mercado, consegue ajudar a tirar tantos projetos do papel, consegue encarar os desafios de frente, ele não é mais jovem. Não é bebê. Não é criança. Ele é um clube de gente responsável. Um clube de atitude.
Encarem o Clube como vocês encaram a vida de vocês. O Clube não é grande porque o mercado quer. Ele é grande porque todos nós temos talento para fazer ele maior. Vivemos agora um momento de transição onde todos precisam colocar um pouquinho do seu potencial e apostar no futuro. O Clube só vai ser pequeno se a gente pensar pequeno. E ele só vai acabar se a gente deixar ele se tornar pequeno. Se a gente deixar o complexo de Peter Pan tomar conta e insistir em não aprender com os erros de outras gerações.
O que a gente precisa é olhar embaixo da cama no lugar de ficar chorando no escuro. Talvez assim todos consigamos perder o medo e construir o verdadeiro Clube que a gente quer.

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