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Colaboração para o tema “criatividade”

Por Hélio Ademar Schuch Descobrir como ocorre criatividade é igual a produzir uma pedra filosofal, tem lá sua complexidade… mas, encontrando, vai aparecer o …

Por Hélio Ademar Schuch

Descobrir como ocorre criatividade é igual a produzir uma pedra filosofal, tem lá sua complexidade… mas, encontrando, vai aparecer o ouro que os alquimistas  buscavam. Se há um comportamento que caracteriza pessoas criativas é  vontade/compulsão de inovar, inventar, arriscar, o que não é pouco diante dos muitos que não têm esta preocupação. Para criar é preciso ser propenso ao risco, qualquer risco, cair no ridículo, por exemplo, mas ser jogador tem suas vantagens: haverá perdas, contudo,  no final é possível ganhar, porque quem joga  um dia acerta…

Harold Bloom, crítico norte-americano, escreve em seu livro “Gênio; os 100 autores mais criativos da história da literatura” (Objetiva) que “os gênios têm características comuns, uma vez que a especulação intensa e individualizada bem como a espiritualidade e a criatividade dependem da originalidade, da audácia e da autoconfiança”.

Criatividade exige muita curiosidade, observação, informação, conhecimento, imaginação, inspiração, referências, raciocínio e abstração para misturar e administrar tudo isto e fazer algo inédito, resolver um problema, mas às vezes,  a angústia ou o mal-estar que antecede a ideia, é o ponto de partida.  “Nowhere Man”, por exemplo, que inicia uma fase dos Beatles  com músicas cujos temas não eram o amor,  surgiu da seguinte maneira como conta  John Lennon no livro de Steve Turner “The Beatles; a história por trás de todas as canções”  (Cosacnaify): “Nada vinha. Eu estava irritado e fui tirar um cochilo, depois de desistir. Então pensei em mim mesmo como o Homem de Lugar Nenhum – sentado na terra de ninguém”.

Ambientes com equipes dispostas a criar são espaços e meios para produzir criatividade, no entanto, a solidão pode ser decisiva, e elevada, e é  típica em assuntos acadêmicos.

Criatividade é a arte de resolver problemas colocados para o indivíduo, externa ou internamente, e existem milhares de exemplos. Cito um que chamou minha atenção, de Bart D. Erhman, doutor em teologia pela Universidade de Princeton e autor do livro “Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?” (Ediouro), que inovou e mudou o padrão tradicional de leitura da Bíblia.

Como ele escreve: “Em uma leitura horizontal, você lê uma história em um dos Evangelhos, depois a mesma história em outro Evangelho, como se estivessem sido escritas lado a lado, em colunas. E você compara as histórias cuidadosamente, nos seus detalhes. A leitura horizontal dos Evangelhos revela todo tipo de diferenças e discrepâncias.” Com este método o autor percebeu que muitas informações não fecham entre si na história de Jesus.

Foi simples este tratamento de textos que focam um mesmo assunto para, comparando informações, perceber semelhanças ou, no caso, divergências; algumas  realçadas, outras  sutis, mas sempre diferenças. Através de uma inversão singela, Ehrman descobriu o despercebido causado por uma leitura vertical. 

A origem da criatividade é um assunto (ainda) misterioso, se conhece seus resultados, mas não completamente sua gênese. Sempre que alguém tenta explicar como conseguiu fazer isto ou aquilo parece muito operacional, simples demais, faltando o que de fato ocorreu na sua mente, numa situação, é possível dizer, onde o cérebro não consegue desvendar o próprio cérebro.

Criatividade, que por mais que apareça e resulte em impacto nunca é suficiente (uma economia de mercado reduz ao máximo a vida útil de qualquer inovação porque esta é o seu impulso permanente), pode ser estimulada, ampliada, através do  aprendizado de tudo que se relaciona com ela. Desde biografias de pessoas tipo Isaac Newton e Da Vinci e livros sobre esta capacidade, propagandas (muitas), jornalismo (muito),  filmes e documentários, humor (sempre), letras de músicas e poesias,  conversas com pessoas que têm algo a dizer, até os vídeos da TED,  passando por aulas/exercícios específicos. E, claramente, outras ações que estão além da nossa imaginação.

Não é extensa a bibliografia sobre o tema, direta ou indiretamente, e o que segue é a minha colaboração:

A imaginação sociológica – C. Wright Mills, Zahar.

Como Shakespeare se tornou Shakespeare – Stephen Greenblatt,  Companhia das Letras.

Enigma – Andrew Razeghi, Ediouro.

Da Vinci – Cynthia Phillips e Shana Priwer,  Alegro.

De onde vêm as boas ideias – Steven Johnson, Zahar.

Gestão do conhecimento para tomada de decisão – Mário de Souza Almeida e outros,  Atlas.

Fora de série – Malcolm Gladwell, Sextante.

Qualidade da Criatividade – Victor Mirshawka Jr. e Victor Mirshawka, DVS editora.

Outsiders – Howard S. Becker, Zahar.

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