Por Antonio rosa
Tenho percebido nos últimos meses a falsa divulgação de que a circulação dos jornais no Brasil, ao contrário do exterior, não perde sua circulação. E mais complicado: várias notas dizendo o contrário, que a venda cresce. Estas notícias estão sendo divulgadas nos próprios jornais, em entidades associativas e repercutem também nos veículos especializados no mercado publicitário.
Achei muito estranha a informação, pois qual seria a razão do crescimento? Melhora da renda brasileira? Maior interesse cultural? De fato a verdade é completamente diferente do que está sendo comentado.
Fui pesquisar no IVC – Instituto Verificador de Circulação, órgão sem fins lucrativos, mantido pelo mercado e que audita a circulação dos jornais e revistas, para verificar a veracidade da informação. Até porque para mim seria algo surpreendente. Para ser criterioso, avaliei a circulação dos jornais nos últimos dez anos atrás. Vejam só os números reais da enorme queda da circulação dos jornais no Brasil:
Folha de S. Paulo: Teve sua melhor circulação média em 2000, com 440 mil exemplares. Em 2009, a circulação foi de apenas 295 mil. Uma queda absurda de 33%.
O Globo: Obteve sua melhor circulação no período no ano 2000, com circulação média de 321 exemplares. Em 2009, a circulação média foi de 257 mil exemplares, ou seja, queda de 20%.
O Estado de S. Paulo: Em 2000 circulou com uma média de 398 mil exemplares. Já em 2009, foram apenas 212 mil exemplares. Uma enorme queda de 47% na circulação.
Zero Hora: em 2000, a circulação média foi exatamente igual à de 2009: exatos 180 mil exemplares. Crescimento zero.
Extra: 307 mil exemplares em 2000 e 248 mil exemplares em 2009. Queda de 20%.
Correio do Povo: 216 mil exemplares em 2000 e 155 mil exemplares em 2009. Queda de 18%.
O Dia: 299 mil exemplares em 2000. Já em 2009, caiu para 71 mil exemplares em média. Uma absurda queda de 77%.
Diário de S. Paulo: circulou com 130 mil em 2001. Em 2009, apenas 57 mil exemplares. Queda de 57%.
Gazeta Mercantil: Circulou com média de 120 mil exemplares em 2000. Hoje não circula mais.
Jornal do Brasil: 85 mil exemplares médios em 2000. Fechado em 2010.
Resumindo: a Folha caiu 33%, o Globo caiu 20%, o Estadão caiu 47%. O Extra caiu 20%. O Correio do Povo caiu 18%. O Dia caiu 77%. O Diário de S. Paulo caiu 57%. Gazeta Mercantil e o JB foram fechados e deixaram de circular.
Somada, a queda dos principais jornais do país totaliza exatos 25% em dez anos. Portanto, como podemos aceitar a notícia de que a circulação dos jornais no Brasil, à exceção de outros países, não cai e ainda cresce? Seriam apenas números parciais, na linha “para Inglês ver”, tipo mês passado, ano passado, trimestre passado? Ontem? Porque esta informação é absurdamente capciosa.
Fiquem atentos! Cuidado com o que andam lendo por aí. E observem que a Internet não veio pra brincar de pegadinhas.

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