Por Janaína Rolim Díaz O maior massacre de todos os tempos nos Estados Unidos deixou alguns ensinamentos para a sociedade mundial, inclusive para nós comunicadores. Se por um lado a mente humana ainda tem muitas incógnitas que desafiam os profissionais mais capacitados e a ciência, por outro, as tecnologias de comunicação tornaram-se tão eficientes e acessíveis que produziram uma geração interessada em compartilhar todo e qualquer tipo de informação.
O estudante da Universidade Virgínia Tech Jamal Albarghouti estava no campus no momento em que Cho Seung-Hui matou 32 estudantes e professores e depois se suicidou. O primeiro impulso de Albarghouti não foi correr ou se atirar no chão para se proteger dos tiros como faria o seu pai quando tinha a sua idade. O estudante faz parte da geração You Tube, Orkut, My Space, Second Life e por aí vai. Sua primeira reação foi gravar o incidente com a câmera de vídeo disponível em seu celular. Depois do ocorrido, baixou o vídeo no site da CNN e mais tarde estava servindo de fonte de informação para famosos jornalistas americanos como o Larry King da CNN. Eu assisti pelo menos três diferentes entrevistas com Albarghouti na mesma noite. E o mais interessante é que ele tinha mais imagens do fato que qualquer rede de televisão dos EUA.
Mesmo as pessoas mais tímidas perdem a timidez quando o assunto é compartir com amigos e desconhecidos seus mais íntimos desejos, pensamentos e atitudes. Na era do compartilhamento da informação, até mesmo o responsável por tamanha brutalidade dispensou tempo tratando de divulgar seu ato criminoso para o mundo. Entre uma rodada de matança e outra, Cho parou no posto do correio da universidade para enviar para uma das principais redes de televisão dos Estados Unidos, NBC, imagens, vídeos e textos com a sua versão sobre o ato cruel. Fato que gerou um grande debate entre a mídia americana quanto à publicação ou não deste material.
Mas nós comunicadores temos uma lição deste caso que vai além do debate de divulgar ou não tais informações. Fica aqui o alerta que para sobreviver no mercado de comunicação é preciso entender esta nova geração, para qual somente ver ou ouvir reportagens não é suficiente. O público quer fazer história, contar e produzir. Leitores deixaram de receber a notícia passivamente, passando a ter a mesma tecnologia da imprensa para registrar os fatos e contar para o mundo. Sites como You Tube, que não tem um departamento de redação e somente publicam material enviado por usuários, batem recordes de audiência, muitas vezes noticiando fatos antes mesmo que a mídia convencional, como o caso Cicarelli.
Com certeza, a solução para conquistar este novo público vai além de somente abrir espaço para os jornalistas cidadãos. Provavelmente, uma profunda reestruturação na forma de noticiar será o caminho para prover o conteúdo que vai satisfazer as novas gerações. As inovações tecnologias seguirão. Será que a forma de noticiar vai permanecer a mesma dos primórdios do jornalismo?

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