Por Antonio de Oliveira
Caiu a avaliação do Governo Dilma Rousseff ? Mentira. Nada disso. Os resultados das pesquisas encomendadas desta vez não vão colar. Afinal, não era isto que estamos assistindo em Brasília e em alguns estados que a população quase inteira (menos os corruptores e corruptos, claro) de todo o País queriam? Inclusive uma imprensa que denuncie a todos e não só “essa gente” do PT, como acontecia até agora? Agora, entra todo mundo: PP, PMDB, PT, DEM, PSDB, etc.
Pois Dilma está deixando a Polícia Federal fazer o que tinha que ter sido feito há muito tempo. Até as gramas que nascem entre as duas avenidas que separam os prédios da Esplanada dos Ministérios sabem que em cada edifício daqueles, em quase todos os papéis que se movimentam de uma sala para outra integrando um processo, há um interesse em jogo. E atrás desse interesse o número de uma conta bancária ou um endereço para deixar alguma coisa para alguém em agradecimento por aquela movimentação de papéis que está acontecendo.
Há a corrupção pesada, a que estão pegando hoje, que é aquela do percentual dos recursos que são liberados, de 3%, 5%, 10%, 20% e em alguns casos até 30%, segundo informações que a imprensa vem divulgando, o que quer dizer que há gente que abusa mesmo, não se contenta com pouca coisa não.
Mas há, também, a que se concretiza através de presentes e pequenas ajudas, de pagamento de jantares, de festas de aniversário para os filhos dos funcionários que colaboram, do fardamento para o time de futebol de salão do setor do cara que dá o despacho, da caixa cheia de camarão, peixe e lagosta que vem do Nordeste, do emprego para o enteado da mulher que trabalha lá em casa, da passagem de ônibus, da vaga na escola perto de casa, da carne para o churras ou a buchada de bode no fim de semana, o pagamento do amassado do carro na oficnia, o ingresso para o show… É infindável a lista.
Estas coisas pequenas são encaradas muitas vezes em Brasília até como folclore, aquelas coisas que não se pode mudar e que não fazem mal a ninguém. Nós sabemos que faz, que não é correto, mas também passamos a mão por cima… o coitado veio lá do Nordeste… o coitado veio lá do Amazonas, andou cinco dias de barco… Nas tendas existentes perto dos ministérios, onde as pessoas fazem lanches ao meio dia, é comum a gente ouvir as histórias destas coisas pequenas e todas já são encaradas com naturalidade, embora não devesse.
Eu duvido, asso no dedo, que a população não esteja aprovando estas ações da Polícia Federal. O problema de um figurãozinho surgir com as algemas aparecendo é o de menos, mas tudo bem, vamos aceitar que haja algum excesso aqui e ali, mas como disse aquele ministro, eu não posso ficar na portaria para anotar quem entra e quem sai do prédio, no que está cheio de razão. O problema é acabar com a cultura generalizada de que dinheiro público é para isso mesmo, é para ser roubado, para ajudar quem puder pegar e pronto.
Esta cultura é preciso ser trocada imediatamente por outra. Aquela que o sujeito sempre fique preocupado de que se eu fizer isto hoje minha foto com os punhos algemados pode estar na capa do jornal ou da revista de amanhã. Até que o respeito ao dinheiro público se torne uma normalidade entre todos os servidores ou não que se servem do dinheiro público. Vamos entrar neste fila. A dos que defendem a seriedade no trato com a coisa pública. Este é o caminho. Quanto as pesquisaas e o medo da desestabilização do governo, deixem que na hora que for necessário um chamamento à população para ir às ruas resolverá.
Também duvido, mas não aço no dedo, pois os golpistas estão aí, sempre de plantão (vide 61 e 64), que os dirigentes dos partidos atingidos tenham coragem de sair à rua para defender seus afilhados envolvidos. Duvido. Eles ficam fazendo pressão, que vão deixar a base de apoio, etc, mas no fundo o que querem mesmo, e urgentemente, é que se pare de falar no assunto, para ver se poderão voltar ao silêncio e às suas falcatruas sem serem incomodados. E a maneira melhor para continuarem, claro, é ficando dentro do governo, a grande teta.
Para encerrar, meu grito de apoio: Dá-lhe Dilma !!! É isto que o povo quer.

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