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Da pista de dança para as telonas

Por Carolina Zogbi “WE- o romance do século” (2011) estreia nesta sexta-feira em Porto Alegre. Como todos os projetos de Madonna, o filme dirigido …

Por Carolina Zogbi

“WE- o romance do século” (2011) estreia nesta sexta-feira em Porto Alegre. Como todos os projetos de Madonna, o filme dirigido por ela não deixa a desejar. Com um figurino lindo, a cantora resgata a história de amor do duque a da duquesa de Windsor, que aconteceu em 1936 e exigiu que os dois abrissem mão de muita coisa para ficarem juntos.

Quem viu os trabalhos da diva do pop vai reconhecer muito de seus videoclipes em certas partes do longa, primeira grande produção como diretora no cinema. Curiosamente, a trilha sonora, apesar de boa, é por vezes usada em momentos impróprios. “Masterpiece”, de autoria própria e ganhadora do Globo de Ouro, aparece apenas nos créditos finais.

A atuação de Andrea Riseborough (Wallis Simpson) deixa a desejar. Em muitos momentos faz falta algum tipo de carisma, ou algo que mostre o que conquistou o coração do futuro rei. Outra questão confusa é a protagonista ser americana e encarnar uma legítima inglesa, sem o sotaque. Lá pelas tantas, Madonna exagera e mostra esta mesma “duquesa” dançando bem à vontade. Cena desnecessária.

O longa ganha pontos ao contar uma história paralelamente à outra que acontece nos dias de hoje, que descreve não apenas um romance vivido em outros tempos. A ex de Guy Ritchie trabalhou no roteiro enquanto enfrentava a separação, o que explica muito sobre o filme, mostrando o amor e o que se abre mão quando se opta por ele. Tratando-se de Madonna, vai além: ela tenta mostrar que destino existe sim, mas temos controle sobre as nossas escolhas. A questão da trama se passar na Inglaterra e em Nova Iorque também retrata sua experiência, que por muitos anos abdicou da  cidade favorita para morar com o marido na sombria Londres. Por amor.

A garota de Michigan inventou de se aventurar em filmes depois do relacionamento que teve com Guy Ritchie, o cineasta inglês, e como era de se esperar quis mostrar que também sabia dirigir. E soube fazer melhor.

Na telona está o drama de um rei que abdica do trono e de uma mulher que abre mão de toda a liberdade para ficar com ele. Tudo por amor. Se valeu a pena? Nunca ninguém poderá responder. Nem Madonna. 

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