Por Janaina Rolim Ah se eu tivesse a minha câmera aqui neste momento! Mandaria pro Jornal Nacional! Quem já não teve esse pensamento? Afinal de contas, de jornalista e curioso todo mundo tem um pouco. E alguns até já tiveram a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, preparados para dar uma de repórteres, os chamados cinegrafistas amadores.
Hoje em dia, basta um celular e qualquer cidadão está equipado para realizar uma “cobertura”. É só captar a imagem e mandar para um jornal ou website, ou, ainda, publicar em um blog. Essa contribuição amadora, mas que muitas vezes pode ajudar a desvendar casos, é conhecida como Jornalismo Cidadão Participativo (JCP), em inglês Citizen Journalim ou Participatory Journalism.
A maior manifetação do JCP no mundo aconteceu durante o atentado terrorista de Londres, no dia 7 de julho. Os repórteres cidadãos contribuíram com centenas de imagens e declarações ricas em detalhes de quem esteve presente no evento. A participação dos repórteres cidadãos foi bem comentada. Tanto que alguns articulistas arriscaram até um palpite sobre a mudança da produção e veiculação da notícia futuramente.
Na última quinta-feira, durante o segundo atentado na capital da Inglaterra, os jornalistas acidentais foram novamente lembrados pela mídia. Até mesmo a polícia londrina pediu ajuda, solicitando fotos tiradas através dos telefones celulares.
No entanto, pelo menos nos Estados Unidos, a repercussão do JCP durante o segundo round de bombas em Londres não foi tão grande, bem pelo contrário, houve até mesmo crítica por parte dos jornalistas profissionais reclamando do conteúdo repetitivo e superficial disponibilizado pelos repórteres cidadãos.
Tenho que concordar com Robert MacMillan, colunista do jornal Washington Post. O segundo bombardeio de Londres não teve tanta repercussão porque não apresentou tamanha dimensão como o primeiro evento. Quanto menor o acontecimento, menor será a cobertura, não é mesmo, jornalistas?
O Jornalismo Cidadão Participativo está se desenvolvendo, e muito bem, por sinal. Nunca houve tanto espaço e tanta participação como agora na era da Web. Quem tem que se mexer são os veículos de comunicação, e aí a crítica vai não somente para os americanos como também para a mídia mundial. Ao invés de esperar as notícias de agências ou do próprio JCP para diminuir custos, devem mandar seus profissionais para a rua, para acompanhar de perto tanto os grandes, quanto os pequenos eventos. Caso contrário, será mais interessante mesmo ouvir o depoimento de quem não é profissional mas esteve presente no acontecimento do que se atualizar através do “oficialesco” disponibilizado pela mídia.

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