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Desabafo de um brasileiro

Por Luis Fernando Manassi Mendez Escrevo este artigo  após a derrota da seleção  brasileira masculina de vôlei. Estou impedido de fazer uma análise do …

Por Luis Fernando Manassi Mendez

Escrevo este artigo  após a derrota da seleção  brasileira masculina de vôlei. Estou impedido de fazer uma análise do jogo, porque não pude assisti-lo.   A imprensa deu destaque, como sempre, ao futebol. Semanalmente há predomínio deste esporte de forma multimidiática. Não pude olhar, na TV “aberta”, o jogo de nossa seleção treinada por Bernardinho, porque não foi de interesse da mídia transmitir tal partida.

O que não falta na versão multimídia são comentaristas e repórteres, a todo o momento, dando destaques ao futebol em geral. Hoje, para poder acompanhar, minuto a minuto o jogo de vôlei, demorei, pelo menos, dez minutos para encontrar um site que fizesse a transmissão. Insatisfeito,  telefonei a uma rádio de grande porte às 16h, e a atendente me disse que a equipe esportiva não estava acompanhando a transmissão, só mais tarde iria dar seu pronunciamento, pois estavam ocupados com a rodada do Brasileirão.

 A realidade é que não há uma transmissão democrática no esporte. Acredito que há um lado inexplorável: a infância. As crianças criam hábitos, desde cedo, da pratica esportiva, ao verem outras praticando uma modalidade; Em países vizinhos, como no Uruguai, desde cedo, crianças são incentivadas a praticarem o atletismo, como salto em distância, corridas de fundo e salto em vara, inclusive. Sou natural de Quaraí, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul e já tive oportunidade de ver uma criança uniformizada com os dizeres: “ATLETISMO URUGUAY”.

Se países pequenos podem educar, desde cedo, suas crianças na prática de esportes de modalidades variadas, não entendo por que o Brasil não pode fazer o mesmo. Será que ao pregar o futebol como o esporte no “sangue” do brasileiro não se estaria desprezando a importância da natação, atletismo, vôlei,  basquete, entre outros, na formação de novos atletas?

Soube hoje, recém, que o Brasil iria disputar um jogo decisivo contra os EUA pela Copa do Mundo de Futebol Feminino. Estranho, recém hoje. Apesar de ser jornalista – o senso-comum prega que jornalistas têm de estar a par de todas as notícias, e eu posso ser um desinformado – e apesar de assistir a programas tradicionais da TV brasileira,  estes raramente noticiam o futebol feminino. Um adicional a isso é que certas emissoras optaram em passar programações alternativas no horário do jogo- desmerecendo o empenho das nossas atletas.

Já escrevi, aqui, sobre o jornalismo esportivo com inclinações futebolísticas. Não culpo a meus colegas, já que o caso remete a questões antropológicas- a formação cultural do povo, costumes seculares etc. Monopolizar a culpa aos jornalistas seria injusto. Somos “teorizados” na academia, para, depois, sermos “comercializados” pelas ideologias mercantilizadas da notícia. O assunto, portanto, é complexo. Acredito que, dentro de duas décadas, a situação irá ficar mais acentuada, praticamente inexistindo midiaticamente o tênis de mesa.

Para antecipar julgamentos precipitados, sou, sim, adepto ao futebol, acompanho jogos do meu time e notícias relacionadas a ele. Entretanto, tenho vontade em ler, em reportagens de amplitude, notícias relacionadas a outros esportes. Já sei, sim. O futebol é o esporte mais popular que existe, por isso ele merece tamanho destaque.  Mas será que atletas de outras modalidades esportivas brilham menos e merecem menos atenção do que jogadores com seus topetes?

À primeira vista,  meu posicionamento  poderá soar como ingênuo. Poderia. Mas acredito, todavia, na mudança. Carrego um dilema comigo: pensar em ingenuidade, neste contexto, não seria uma forma de deixarmos de  refletir na formação de nossa cultura? Será que este “acomodamento” não seria indício de que banalizamos as coisas, sem sabermos, ao certo, a origem de nossos costumes?

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