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Deus, o diabo e o Veríssimo

Por Glauco Fonseca FHC estava com a razão quando disse que “Luis Fernando Veríssimo até que escreve bem, mas não sabe muito o que …

Por Glauco Fonseca

FHC estava com a razão quando disse que “Luis Fernando Veríssimo até que escreve bem, mas não sabe muito o que diz”. A prova está na maioria de suas colunas, principalmente na do dia 30 de abril de 2006 em Zero Hora.

Primeiro, invoca Deus ou o diabo como “mentores” de algo que os trapalhões do PT são os totais responsáveis. Tentar burlar a inteligência de quem se dá ao trabalho de lê-lo é uma estratégia surrada, item de artilharia obsoleto, ultrapassado, típico da malfadada história petista no poder.

É bom que o leitor saiba que Veríssimo não acerta em sua visão do problema. Deus ou o diabo nada tem a ver com a estupidez e a insensibilidade petista de Lula, Palocci e dos demais capangas que compõem a gang que hoje manda neste país. E também não cabe se falar em detalhe. O PT e seus gestos não se consagram por detalhes. Por grosserias e estabanos sim. Detalhe não é com o PT.

Comparar o governo com um circo é, mais uma vez, um impropério do inadequado Veríssimo. Circo, meu caro, é algo organizado, onde tem gente trabalhando com honestidade, seriedade e sobretudo com amor ao que faz. Circo é lugar de respeito, lugar para se rir. O governo de chorar do PT não é lugar de respeito.

A infelicidade do texto demonstra ser do tamanho da infelicidade do autor, ao ver seus ídolos ou apreciados ruírem diante da corrupção, da safadeza, do enriquecimento ilícito, da locupletação em nome da ética, da igualdade social, da melhor distribuição de riqueza. E ao tentar desqualificar os fatos que levaram à queda de Palocci (suspeita de que o caseiro tenha ganho dinheiro para denunciar o ministro, trapalhada do governo, triste exemplo de ingenuidade, etc.), novamente evoca a imagem do diabo. Ora, prezado articulista, modestamente lhe digo que o resumo de tudo é uma palavra só: safadeza. Não tem diabo envolvido. Tem corrupto, safado, ladrão, sem-vergonha, mentiroso, a maioria do PT. Mas o diabo está fora desta, por mais vermelho que seja.

Não houve escândalo por causa de detalhe. Houve escândalo pela ausência de detalhe. Se fosse por detalhe, Lula deveria renunciar, Tião Viana deveria ser cassado e muitos outros petistas deveriam pedir o boné ainda hoje pelo simples fato de que sabiam da quebra irregular do sigilo bancário do caseiro muito antes da revista Época ter tido a infelicidade de publicar o extrato, obtido de modo criminoso pelo Presidente da Caixa, pelo Ministro de Estado da Fazenda e por outras figurinhas safadas que integram a gloriosa constelação petista que vai para a história, não sem antes terem suas condecorações arrancadas diante de toda a nação.

A trapalhada é tanta que a oposição ainda planeja se insiste no tema ou vai deixar pra lá. Até mesmo a oposição mais ferrenha a este pobre governo tem demonstrado excessiva misericórdia diante de tanta trapalhada.

Assim que, nobre escritor Luis Fernando Veríssimo, lhe digo que Flaubert tinha mesmo razão ao dizer que o bom Deus está nos detalhes.

O diabo, este sim, se diverte inspirando alguns escritores que ainda não se deram conta que a casa, de podre, já caiu.

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