Artigos

Dia da Memória Organizacional

Por Rodrigo Cogo A memória é o que nos permite relembrar com detalhes fatos passados, considerada então condição “sine qua non” da história: sua …

Por Rodrigo Cogo

A memória é o que nos permite relembrar com detalhes fatos passados, considerada então condição “sine qua non” da história: sua matéria-prima e seu registro. Pode ser qualquer forma de pensamento, percepção ou prática que tenha o passado como sua principal referência, sem significar a ausência de dinamismo ou vitalidade. Com este embasamento, a Aberje, ¬ reunindo as Associações Brasileiras de Comunicação Empresarial, de Comunicação Organizacional e de Branding,¬ está envolvida na comemoração do Dia da Memória Organizacional, neste 4 de agosto, mobilizando empresas associadas na conscientização sobre o tema.

Este protagonismo da entidade vem de 1999, quando, preocupada com questões trazidas pelas reestruturações produtivas e patrimoniais brasileiras, entre elas as privatizações e as centenas de fusões e aquisições, promoveu o Encontro Internacional de Museus Empresariais, tendo como palestrantes especialistas do renome de Thom Gillespie, da Indiana University, e ainda Albert Pujol, do Futebol Clube Barcelona. No ano seguinte, trouxe ao Brasil o historiador inglês Paul Thompson, com encontros também nos anos de 2001 e de 2003. O ano de 2004 não foi menos emblemático: houve a publicação do livro “Memória de Empresa: história e comunicação de mãos dadas a construir o futuro das organizações”, pelo Aberje Editorial, e criada a categoria “Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial” no Prêmio Aberje. Desde então, já foram 68 projetos concorrentes, tendo como vencedores empresas como GM do Brasil, Vale, CTBC Telecom, BNDES, Souza Cruz, Novelis do Brasil, Grupo Votorantim e Bosch.

Logo depois, em 2006, foi inaugurado o Centro de Memória e Referência/CMR, reunindo um acervo de documentos, fotos e material audiovisual dos últimos 50 anos da comunicação empresarial nacional, afora uma biblioteca de mais de 1000 títulos da bibliografia fundamental da comunicação e das relações públicas. O CMR ainda abriga o Instituto Aberje de Pesquisas, que desde 2001 vem realizando estudos sobre vários campos e estabelecendo uma base de dados relevante pra tomada de decisões na área.

Um dos Comitês criados pela Aberje foi o de Memória Empresarial, cuja primeira reunião aconteceu em 27 de março de 2007, dentro das comemorações dos 40 anos da entidade. As oportunidades de troca de experiência entre associados e convidados externos já tiveram apresentações da Votorantim, Weg, Embraer, Suzano, Petrobras e Bosch, em seis edições. Entre as atribuições do comitê, está a de disseminar informações sobre história e memória empresarial, promover a gestão do conhecimento, estimular e reconhecer práticas de excelência, reunindo profissionais com interesses e desafios comuns. O Comitê tem um informativo próprio enviado por email para todos os associados.

“Diante do enfraquecimento das formas tradicionais de relações públicas e de comunicação, com o objetivo de envolver os empregados e outros públicos, a história organizacional começou a se firmar como uma nova perspectiva para o reforço, principalmente, do sentimento de pertencimento dos empregados, como protagonistas fundamentais das realizações, dos bens, dos serviços e da própria sustentação dos empreendimentos”. Este trecho, retirado da introdução do livro “Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no resgate da memória institucional das organizações”, escrito pelo diretor-geral da Aberje e professor da ECA/USP, Paulo Nassar, e já na segunda edição, dá o tom da relevância e da transversalidade do tema na entidade e no mercado. Ele, que foi autor da primeira tese de doutorado brasileira na área em 2006 e desde então vem orientando monografias de graduação e de especialização, diz que “essa compreensão, pelos gestores de uma organização, de seu papel histórico na sociedade, dentro de seu segmento de negócios, dentro de sua comunidade e para os seus integrantes, é o que se denomina responsabilidade histórica”. Como os indivíduos são cidadãos sociais, as empresas seriam personagens históricos, mesmo sendo vistas, habitualmente, mais sob o aspecto econômico. “Hoje as organizações são agentes sociais, participantes do desenvolvimento do país e que, por isso mesmo, devem retribuir com a memória que ajudaram a construir”, completa.

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.