Por Luis Fernando Manassi Mendez
No dia 17 de junho de 2009, um atentado evidenciado contra os jornalistas foi cometido. Não-jornalistas poderiam exercer a profissão. Tal decisão somente formalizou o que já era sabido: pessoas sem a formação superior em Jornalismo atuando como repórteres – muito comum em empresas de pequeno porte. Pior do que isso é existir um desgoverno crescente nesta profissão importante, que, contudo, não é vista como “vital” em seu exercício diário, argumento este defendido erroneamente por alguns ministros que vetaram tal obrigatoriedade do diploma.
Resumir o Jornalismo à gramática é como dizer que o trabalho de um médico se reduz a medicar pessoas e que estas, hoje em dia, os dispensam, procurando, na internet, “consultas” virtuais. Argumento desmerecedor, este, levando em conta apenas um lado da notícia, desmerecendo todo um estudo teórico da comunicação, estudada arduamente ao longo de quatro anos em uma universidade.
O Jornalismo é uma profissão essencialmente teórica, embora tal abstração perca força nas redações. A prática noticiosa não se reduz ao português claro e objetivo – características básicas de uma notícia – e, sim, a um aprofundamento teórico – uma, hoje em dia.
O falecido jornalista gaúcho Adelmo Genro Filho combatia veementemente os manuais de redação em seu livro O Segredo da Pirâmide. Para Adelmo, o jornalista se via membro de associações burguesas que “mercantilizavam” a notícia. Adelmo Genro Filho atacava aquilo que o era o mais deturpado no Jornalismo prático: a carência da visão teórica da notícia.
Não precisamos, ao redigir uma notícia, usar a Teoria do Espelho. Contudo, é errado dizer que a produção noticiosa dispense fundamentações teóricas. Sendo assim, os efeitos noticiosos levando suposições da Escola de Frankfurt e a importância da Teoria Hipodérmica seriam eternamente inúteis.
A argumentação acima contrapõe-se à dos ministros do STF, já que não foi mencionado que o Jornalismo é uma atividade teórica – reduzida ao mundo acadêmico. Creio que tais ministros estivessem equivocados, afirmando que conferir curso superior de Jornalismo fere a liberdade de expressão. Ora, convenhamos: feriria, sim, se houvesse, de fato, espaço somente a jornalistas nas redações. Lembremos que escritores férteis, tais como Luis Fernando Verissimo e Moacyr Scliar (falecido), não eram jornalistas, e mesmo assim ocupavam espaços com crônicas nos principais jornais do país.

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