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Dunga e a imprensa nacional

Por Pedro Cardoso da Costa Quando foi campeão em 1994, o então capitão sentiu-se vingado da imprensa brasileira porque o criticara na Copa de …

Por Pedro Cardoso da Costa Quando foi campeão em 1994, o então capitão sentiu-se vingado da imprensa brasileira porque o criticara na Copa de 1990. Com aquela campanha, outra não poderia ser a posição, pois o contrário soaria como deboche. Mas ele e seu grupo apenas retratam um vício nacional que todo jogador e clubes têm. Quando vencem alguma competição, especialmente quando não eram favoritos, utilizam uma frase de que “foi uma resposta para aqueles que não acreditavam na gente”. Quando deveriam se lembrar daqueles que acreditaram, apenas por acreditar, vez que o time não justificaria essa crença.

Trata-se de vício mundial. A Itália de 1982 não falava com a imprensa. Seus jogadores achavam que mereciam elogios com uma campanha de empate nas três primeiras partidas da Copa. Classificou-se porque marcara dois gols, embora o saldo fosse zerado, mas Camarões apenas marcou um e sofreu um. Com uma campanha medíocre dessas, serviu para boicotarem a imprensa.

Essa má compreensão do papel da imprensa vem da necessidade que repórteres e outros profissionais de esporte têm de serem amigos de determinados jogadores, quando são famosos. A questão a analisar é se a crítica foi pautada no trabalho, bem ou mal feito, ou se em questões pessoais. Elogio de amigo não vale quanto à crítica feroz do inimigo. Ou ambos devem fazer parte do esporte ou que sejam desconsiderados na mesma proporção.

Recentemente, tornou-se corriqueira uma afirmação dos amigos ou pretensos do Dunga de que ele venceu tudo. Que me lembre ele venceu a Copa América de 2007 e a das Confederações de 2009. São títulos de importância plena quando acompanhados de outros; ou secundária, quando se perde os principais. Quanto à classificação nas Eliminatórias da Copa, a seleção brasileira tem obrigação, mesmo que não tivesse técnico. Os outros são ruins demais.

No ínterim dessas conquistas, o Brasil perdeu mais uma vez a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos, e que me lembre, o técnico não era outro; era Dunga. Os “puxa-amigos” têm que informar quem era o técnico derrotado do Brasil na melhor competição de esporte, depois da Copa do Mundo. Ou perguntar para os argentinos se eles prefeririam o “tudo” que Dunga ganhou por essa medalha. Já escreveram que amizade, como o amor, traz certa cegueira. Que se danem os ouvidos… Dos outros!

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