Por Roberto Andrade Preparem-se para o que vou contar. Pode parecer mentira, perseguição ou sacanagam, mas não é. A futura presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, teve que ser sabatinada no Senado Federal para que assuma, inicialmente, o Conselho Nacional de justiça. É praxe. Representantes de todos os partidos estiveram lá. E o nome da ministra foi aprovado por unanimidade.
Mas, para tanto, a digníssima doutora Ellen Gracie, nascida no Rio e gaúcha de coração, teve que conhecer de perto a qualificação e o perfil da classe política brasileira. No intuito de elogiá-la, agraciá-la com gentilezas e apupos, alguns senadores cometeram gafes inacreditáveis. Vou citar algumas.
Wellington Salgado (PMDB-MG), talvez por desconhecer a área de atividade da ministra, preferiu destacar seus atributos físicos. E bradou em alto e bom tom no plenário do Senado Federal: “Ouvi falar muito da sua competência, do seu conhecimento jurídico e sua intelectualidade, mas o meu voto ainda leva em conta a beleza e o charme. Assim voto com muito prazer”. A ministra manteve-se impassível ao receber o voto prazeiroso gentilmente concedido pelo senador mineiro.
Já Magno Malta (PL-ES) lamentou não ter se formado em advocacia e confessou ter feito três vestibulares sem ter sido aprovado em nenhum. Tem mais. O senador capixaba contou ainda que realizou uma consulta por telefone aos gaúchos residentes em Porto Alegre. Pegou a lista telefônica e, aleatoriamente, telefonou para 30 pessoas. E sentenciou: “O que tenho a dizer é que o povo gaúcho tem muito orgulho da senhora”.
Querem mais? João Batista Motta (PSDB-ES) decidiu discursar sobre o preconceito contra o fato de mulheres ocuparem altos cargos públicos e também sobre o preconceito racial. Sua conclusão: “Desde que Pelé foi esposo de Xuxa todos têm preconceito no Brasil. Existe preconceito no Brasil”.
Ok, prometo que é a última. Deixei a melhor para o final. Vejam o que disse o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR): “Conheço as mulheres pela minha mãe e porque sou ginecologista. Como ginecologista, aprendi a lidar de perto com as mulheres, a entender muito profundamente a sensibilidade feminina”. Acreditem! O distinto senador de Roraima disse isso! É bom a ministra Ellen ir se acostumando com a vizinhança…

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial