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Em defesa do diploma de jornalista

Por Ercy Pereira Torma O Supremo Tribunal Federal (STF) examina o recurso extraordinário que questiona a exigência do diploma de curso superior para o exercício do …

Por Ercy Pereira Torma

O Supremo Tribunal Federal (STF) examina o recurso extraordinário que questiona a exigência do diploma de curso superior para o exercício do Jornalismo. Trata-se da mais forte iniciativa objetivando desregulamentar a atividade jornalística, ignorando a importância da preparação de profissionais para a área e como maneira de qualificar a informação.

Estes ataques à atividade representam movimentos cíclicos, pois aparecem periodicamente e sempre buscando desmerecer o trabalho executado por nossas faculdades.  O professor Antonio Firmo de Oliveira Gonzalez, em artigo publicado em 1990, destacava que “a evolução do jornalismo será cada vez mais rápida e as empresas e os profissionais da Comunicação Social não podem se considerar simples produtores de jornais, revistas, telejornalismo e radiojornalismo”. O papel orientador nessa evolução certamente está nas faculdades.

A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), que teve em sua direção criadores, diretores e professores de cursos de Comunicação Social – entre eles, Alberto André e Antonio Gonzalez -, sempre defendeu a valorização do diploma e a consequente preservação do curso superior de Jornalismo. A história da entidade mostra os esforços desenvolvidos ao longo do tempo e que estiveram próximos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, na busca de valorização da atividade.

Nossa preocupação quanto à manutenção da exigência de diploma específico para o exercício do Jornalismo vai ainda mais longe. Pode parecer um absurdo, mas estamos convencidos de tratar-se de um grande “teste” para as lideranças profissionais. Para nós, foi colocado um grande “bode” na sala e o que for decidido pelo Supremo indicará o caminho a ser seguido nos próximos anos.

No caso de desregulamentação da profissão de jornalista pelo STF, certamente as demais atividades regulamentadas logo estarão enfrentando ataques de seus desafetos.  Temos mais de duas dezenas de profissões reconhecidas, cujos líderes ainda não perceberam a dimensão do que está sendo discutido em Brasília.  Todos devem colocar as barbas de molho, porque pode estar sendo montado um grande plano contra as profissões regulamentadas.

O que se discute no STF é o retrocesso no exercício de uma atividade, marcada pelo seu envolvimento com os interesses maiores da sociedade brasileira. É uma volta ao passado, quando deveríamos estar discutindo a melhoria dos veículos de comunicação, atentando para as novas formas de transmissão do conhecimento e da informação com qualidade e com ética. Vamos defender o diploma para jornalistas.

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