Por Jayme Copstein O juiz de primeira instância, autor da decisão, e o desembargador que a confirmou na segunda instância, justificaram-se, alegando que foram enganados: policiais introduziram os números da Rede Gazeta, dentro de uma relação de telefones que tinham a ver com outra investigação.
Não há porque se duvidar da palavra dos dois magistrados, mas não é possível absolvê-los do pecado de desleixo. Se um crime é investigado, também devem ser identificados os telefones cuja quebra de sigilo é solicitada à Justiça.
A omissão abala um dos pilares em que se assenta a vida em sociedade: a confiança dos cidadãos em seu Judiciário.
É evidente que os policiais do Espírito Santo desejavam identificar quem está informando os jornalistas da Rede Gazeta sobre a corrupção que atingiu em cheio a corporação e tem sido denunciada pela imprensa. A intimidação de testemunhas e até o seu assassinato são notícias que estão todos os dias nos jornais.
O que aconteceu foi realmente estarrecedor.
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Lúcia Hipólito, comentarista política da Rádio CBN de São Paulo, está alertando a Nação para o risco de o deputado federal João Paulo Cunha escapar da cassação de mandato. Ele está se fingindo de morto, para que se esqueçam dele, com toda a certeza por conselho dos muitos amigos que fez quando teve a faca, o queijo e a chave do cofre na mão, quando que presidiu a Câmara Federal.
Como bem assinala Lúcia Hipólito, esses amigos de João Paulo estão brincando com fogo, achando que a opinião pública e o eleitor brasileiro ainda são bobos, desinformados e desmemoriados, como no tempo de D. João Charuto. Com a comunicação instantânea de hoje, ninguém vai deixar passar que as explicações por ele oferecidas à Comissão de Ética eram simplórias e contraditórias e equivaleram a uma rasgada confissão.
Primeiro, era apenas sua mulher reclamando diferenças de uma conta de tevê a cabo, depois ela retirava 50 mil reais para fazer um pagamento. Finalmente admitiu que alguém o tranqüilizara, garantindo que abaixo de 100 mil reais, o Coaf – Conselho de Controle de Atividades Financeiras – não registrava operações.
Que não registrasse, e portanto não houvesse prova do seu envolvimento com o mensalão. Mas há também, apesar de ter sido candidato único, a campanha eleitoral para presidência da Câmara, contratada a peso de ouro a Marcos Valério, e paga depois com 10 milhões e 500 mil reais, sob pretexto de fazer propaganda da Câmara de Deputados. De sobra, mas incluída no preço ou como lambuja, pesquisa para saber as chances de João Paulo eleger-se governador de São Paulo.
É trapalhada demais para ser esquecida. Lembrem-se disso.

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