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ESPM, Caracu e Ovos

Por João Firme No final da década de 50 do segundo milênio, ganhamos um estágio remunerado no atendimento da Itapetininga Propaganda, na capital paulista, …

Por João Firme

No final da década de 50 do segundo milênio, ganhamos um estágio remunerado no atendimento da Itapetininga Propaganda, na capital paulista, uma das maiores agências da época. Este primeiro emprego para um radialista (vendedor de reclames) foi facilitado pelo Rodolfo Lima Martensen, ex-diretor da McCann Erickson do RS e depois presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing de SP. Martensen era nosso ouvinte de um programa dominical que apresentávamos na Rádio Itaí, e daí surgiu uma amizade até manifestarmos a ele o nosso sonho de estudar na ESPM. Em 1960, chegamos na terra da garoa, antes do início das aulas, pagamos a pensão (um hotelzinho) na Avenida São João, e guardamos cruzeiros (a moeda do tempo) para o regresso de ônibus e a alimentação para mais ou menos 15 dias, pois sabíamos que a agência adiantava salários na quinzena.

Após uma semana, uma grande surpresa: numa segunda-feira pela manhã, a então grande agência encontrava-se fechada, com ordem judicial de falência.

Frustados, nos organizamos financeiramente para regressar sete dias após. Praticamente sem dinheiro, fomos motivados por uma campanha de publicidade da cerveja Caracu e passamos a nos alimentar uma vez por dia com uma cerveja e um ovo cru batido com casca e tudo no liquidificador. No final da semana, pela manhã de uma sexta-feira, encontramos o jornalista Silveira Neto, que tinha uma coluna no Jornal da Tarde, se não nos falha a memória. Contamos para ele a nossa história. À noite, ele nos levou à sua residência para jantar. Sob os olhares admirados do comunicador e sua esposa, comemos desesperadamente, igual aos que passam fome. Nos parecia que o casal não acreditava no que estava vendo. Quis o destino que dois anos após, viessem a Porto Alegre, contratados para inaugurar a nova freqüência da Rádio Itaí (onde desempenhávamos o cargo de sub-gerente comercial), alguns artistas famosos, como Mário Zan, Mazzaropi, Dircinha Costa, Tonico e Tinoco e as Irmãs Galvão, e como apresentador destas, convidamos o jornalista Silveira Neto. Esta foi a retribuição pelo lauto jantar num momento difícil de nossa vida.

Sem podermos voltar para São Paulo, passamos no vestibular de 1962 na Escola de Jornalismo da PUCRS de Porto Alegre, colamos grau no final de 1965, e somos da primeira turma da Faculdade de Meios de Comunicação Social, a Famecos, que está comemorando 40 anos. Confessamos que ao receber o diploma lembramos da tentativa de conseguir o mesmo da ESPM. Por isto, no dia 25 último, recebemos com alegria o convite para a inauguração do Campus da entidade acadêmica da capital gaúcha. Lá estivemos abraçando o mestre Francisco Gracioso, presidente nacional da entidade, o jornalista Armando Ferrentini, presidente do Conselho, e o professor Sergio Checchia, diretor no RS da modelar instituição universitária de comunicação social.

E para concluir, no início de 60, chegou em Porto Alegre um inspetor da pequena e forte cervejinha preta, para escolher uma agência. Participamos da concorrência com nossa empresa, a Minuano Publicidade, e no briefing da campanha o apelo “Caracu com ovos alimenta”. Na apresentação oral, recordamos o vivenciado em São Paulo. Uma semana após, visitou a nossa terra o diretor-geral da empresa com a missão de nos conhecer. Fomos churrasquear e no final recebemos a notícia, a nossa pequena agência fora escolhida a agência da Cervejaria Caracu no RS.

Valeu o esforço de querermos estudar na ESPM.

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