Artigos

Etarismo, Inteligência Artificial e a Indomável Essência Humana: Uma Reflexão aos 50

Por Christian Jung, para Coletiva.net

Não sei se é porque passei dos 50 anos e sou constantemente perseguido por algoritmos, mas tenho me deparado com muitos artigos sobre etarismo. Na verdade, atualmente, muitos assuntos que foram motivo de sofrimento no passado vêm à tona, especialmente no tribunal das redes sociais. Encontramos com muita clareza, reações contra todos os tipos de discriminação e direitos que estão aí para nos tornarmos mais civilizados.

A inteligência artificial tem se tornado cada vez mais presente em nossas vidas e tem nos feito refletir sobre o futuro de muitas profissões. Não seria diferente com quem trabalha com a voz. Sigo grupos de locutores e dubladores que se encontram apavorados e até mesmo indignados em alguns casos, com o que os recursos da IA já estão fazendo com algumas de nossas habilidades pessoais.

E não tem como escapar.  

Recursos tecnológicos são, em muitos casos, odiados e aplaudidos pela mesma pessoa, porque mesmo com o mal que podem nos fazer em relação ao mercado de trabalho, também trazem facilidades no mesmo mundo do trabalho e principalmente da saúde. Lugar esse que todos nós precisamos e torcemos para que sempre evolua.

E o que dizer sobre a vida dos Mestres de Cerimônias e Cerimonialistas? Será que a Inteligência Artificial pode alterar o curso dessa profissão tão antiga? De minha parte não me sinto intimidado por essa tecnologia. Vejam que em 2016 escrevi um artigo que tinha como título Ver, Reagir e Anunciar – Você é um ser humano ou um poste?

Naquele artigo, eu escrevi:

“… não se deve condenar um ser humano, que tem coração batendo e emoções que por vezes afloram, a agir como uma simples máquina que repete palavras escritas previamente em uma folha de papel.”

E talvez seja ao longo dessa trajetória que conseguimos despistar a IA que chega a toda velocidade atropelando alguns antigos ofícios.

Além disso, temos nossa experiência. E essa é, sem dúvida, o nosso grande ativo! Precisamos lidar com observação, comunicação não verbal (nossa e de quem estamos a atender), empatia, improvisos, alterações de roteiros, cortes e inserções de pronunciamentos, documentos que chegam de última hora para serem assinados. Enfim, uma série de variantes que, por mais que o robô esteja recheado de informações, não conseguirá reproduzir aquele arrepio que sobe pelo corpo quando paramos em frente à plateia. Nossa relação com o momento — a troca de apertos de mão, o olhar, o sorriso, a lágrima que pode deslizar pelo rosto — nos dá a certeza que ainda levaremos muito tempo para sermos substituídos.

Eu sei que robôs podem nos copiar, que hologramas podem nos projetar, avatares podem nos reproduzir, mas existe algo de muito humano no que fazemos que se soma a atuação do “Mestre” que é recheada de conhecimento didático e empírico, voz, observação e, claro, do bendito bom senso.

Nesse ponto, os algoritmos do etarismo não me preocupam. Como diz o ditado: “O Diabo é sábio não porque é Diabo, mas porque é velho!”

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.