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Ética jornalística à chinesa e solução à americana

Por Sérgio Capparelli A Hongfujin Precision Industry, de Shenzhen, que produz componentes para iPod, da Apple, retirou ontem um processo por difamação, contra dois …

Por Sérgio Capparelli

A Hongfujin Precision Industry, de Shenzhen, que produz componentes para iPod, da Apple, retirou ontem um processo por difamação, contra dois jornalistas chineses que haviam publicado uma reportagem sobre as condições de trabalho na empresa. A Hongfujin e o China Business News, onde trabalham os jornalistas, publicaram uma declaração, afirmando que os dois lados tinham resolvido a questão, pedindo-se desculpas mutuamente, “pelos problemas provocados pelo processo judicial“.

O problema da reportagem e da reação da Hongfujin arrasta-se desde julho, quando o  China Business News denunciou o excesso de trabalho a que eram submetidos os trabalhadores, os baixos salários e posição da empresa contra a formação de um sindicato. Pouco depois a Hongfujim, que pertence à Foxconn de Taiwan, entrou com um processo contra os dois jornalistas e não contra o jornal, pedindo US$ 3,8 milhões de indenização, o  que obrigaria os dois jornalistas a trabalhar mais de 600 anos, apenas para pagar o que era pedido.

Diante da repercussão dos fatos, a Apple, que logo depois da reportagem havia prometido investigar as alegações da reportagem, prometeu também conversar com a Hongfujin sobre o processo.  E assim foi feito. Os enviados da Apple de San Bernardino, da Califórnia, onde está a sede da empresa, verificaram primeiramente que havia, sim,  problemas trabalhistas, mas não tão graves.

Enquanto isso, prosseguiam as repercussões do processo da empresa contra os jornalistas, com os ânimos acirrados, especialmente pelo fato do juiz ter imediatamente colocado em indisponibilidade os bens dos jornalistas. Uma decisão estranha, diziam os fóruns de discussão na internet, porque legalmente na China o jornal é que deveria ter sido processado. A Hongfujing, por outro lado, um dos pesos pesados do setor tencológico da China, tendo exportado no ano passado US$ 14,5 bilhões, disse que continuaria com o processo.

A Hongfujin fabrica componentes também para a Dell e para a Intel e com tanta pressão e publicidade negativa, começou a perder o fôlego. Ela requereu o desbloqueio dos bens dos jornalistas e baixou o pedido de indenização para uma quantia simbólica, de menos de US$ 1. Ao mesmo tempo, viu aparecer no noticiário uma farta campanha de relações públicas, pelo fato de ser uma cidade dentro da cidade, com clínicas médicas, espaços de recreação, serviços de ônibus  e 13 restaurantes para servir seus 200 mil trabalhadores.

Finalmente,  a Hongfujin aceitou a criação de um sindicato de trabalhadores dentro da fábrica. A Apple pediu mais, revelando a intrincada situação vivida por grandes empresas, observadas de muito perto pelos detentores de ações, que exigem um mínimo de dignidade no processo produtivo, mesmo se ele acontecer do outro lado do mundo.

As discussões chegaram ontem a um bom termo., num acerto em que reuniram-se cheios de gentilezas, galanteios, pedidos de desculpas e outras mesuras.

A declaração, divulgada no site da Foxconn, reconhece o papel dos meios de comunicação de fiscalizar as atividades comerciais e industriais, enquanto o jornal reconhece a  importante contribuição da Hongfujin para o desenvolvimento da China.

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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