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Folha da Tarde, 75 anos

Por Walter Galvani Quem escrever a história da imprensa no Rio Grande do Sul acabará confluindo em suas pesquisas com o dia 27 de …

Por Walter Galvani

Quem escrever a história da imprensa no Rio Grande do Sul acabará confluindo em suas pesquisas com o dia 27 de abril de 1936, quando circulou, no final da tarde, a primeira edição de um veículo que surpreendia por tudo, especialmente à época dos enormes jornais standard, inclusive como o seu “pai” Correio do Povo. Uma vitoriosa canção de então dizia que “surgiu, fazendo alarde, a grande Folha da Tarde”. Seu primeiro diretor era o escritor Vianna Moog, em seguida, Arlindo Pasqualini.

Aos poucos, a cidade começou a comprá-la dos jornaleiros que a vendiam nas esquinas, aos gritos de “olha, a Folha”, e, mais adiante, os moradores da região Metropolitana, depois dos vales do Sinos e do Caí e da Encosta da Serra, enfim o Estado inteiro. O primeiro choque, o do tamanho, transformou-se em sua grande força, já que era possível “ler no bonde”, e cronistas como Rivadávia de Souza, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Abdias Silva, Carlos Reverbel, entre outros, tornaram-se leitura obrigatória, junto com a dinâmica cobertura do Esporte, da Política, da Polícia, da Economia, chargistas como Epstein, em seguida Xico Stockinger, Sampaulo, humoristas como Carlos Nobre, a vida social e cultural com Paulo Moritz, Mathilde Zattar, Luiz Carlos Lisboa e tantos outros. Campeão das causas populares, o pequeno tabloide era rápido, prático e efetivo. Promoveu campanhas e eventos e assim o foi durante todo o tempo em que circulou, até 16 de junho de 1984, ao dizer adeus em meio à grande crise empresarial. Prometeu-se sua volta, mas ela não se produziu (até agora), deixando na orfandade seus inúmeros leitores e seus repórteres e redatores. Parou de circular com um cartel de grandes anunciantes e uma tiragem soberba. Houve momentos em que superou até o próprio Correio.

Suas grandes virtudes eram o formato tabloide (hoje marca registrada do RS), o que ajudou na adoção da linguagem objetiva, com os textos curtos, e a circulação, que, de acordo com o projeto inicial, se fixava no início da tarde. Era um vespertino cioso de suas posições de crítica ao que se praticava de errado na Capital e no Estado, fiel ao seu modelo e padrinho, o vespertino Crítica, de Buenos Aires. Aos poucos, abriu mão do horário que a classificava como “vespertino” e chegou a circular de manhã cedo, abandonando seu público cativo. Parou, mas vive até hoje nos corações dos seus antigos admiradores.

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