Por Antonio de Oliveira Uma das características do ser humano é que ele está sempre exposto a cometer erros. E há os que dizem que não existe um só que não os cometa. Outra característica é a de que o ser humano tende a perdoar seus semelhantes. Uns acham que o bicho homem pode demorar 30 anos para perdoar. E nas suas elocubrações até apostam nisso. Mas há os que crêm que o ser humano pode perdoar em tempo bem menor. Até menos de um ano. E parece que é isto que está acontecendo com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O povão não acredita que um igual a eles tivesse conhecimento de todas as falcatruas que aconteceram no País e não fizesse nada – embora alguns insistam em dizer que a mentira e a falcatrua são invenções do PT e do atual presidente. Lula fez o óbvio. Mandou investigar e punir os responsáveis. Vários deles já foram punidos, outros estão sendo salvos pelo corporativismo da classe política. Mas o que não se pode dizer é que nada foi feito, como no governo anterior, que toda vez que se falava em CPI, ia às compras, o que fez até para garantir a reeleição do Príncipe que fala inglês. Esta posição do Presidente parece ter sido entendida pelo povão, que confia que Lula será capaz de, num segundo mandato, livrar-se definitivamente dos que corroeram seus primeiros quatro anos e avançar mais. É que o povão sabe o que realmente aconteceu neste governo. Sentiu no bolso a diferença, comparando-o com os governos anteriores. Mas os elitistas-golpistas eternamente de plantão estão alvoroçados diante do quadro que o Brasil apresenta. Como não têm clima para ir correndo aos quartéis, como fizeram no passado, escondem-se atrás do biombo da OA(pfl-psd)B. Chamam uma convocação nacional e aparecem só 150 gatos pingados. Estão com o processo de impeachment pronto, no bolso do colete, para tocar adiante, mas freiam porque a voz das ruas não fica rouca. Irritam-se. O senador catarinense de nome estranho, que falou “vamos acabar com esta raça por uns 30 anos”, volta a atacar: “Temos que nos unir. O nosso inimigo é o Lula!”, apela, soltando fogo pelas ventas.
Mas as pesquisas mostram que Lula pode até ser reeleito no primeiro turno. Os ataques ficam cada vez mais virulentos. Soltam um candidato. Ele não decola. O que decola em lugar dele são os seus escândalos. Uma revista de acupuntura com oito páginas elogiando o governo do Geraldinho. Com dinheiro saindo dos cofres públicos. E indo direto para o bolso do filho dele, posto que é sócio do negócio. Denúncia nunca desmentida. Esta estratégia nós já conhecíamos do Paraná. Onde o governo tucano publicava na imprensa grandes reportagens sobre seus excelentes feitos. Só esquecia de dizer que era matéria paga. E a candidata a futura primeira dama da Nação também escorrega no tafetá. São 400 modelitos que o estilitsta diz que deu e dona Lu diz que não recebeu. Fala que foram só 49. Menos de 10%. Para fazer benemerência. Parece que ela fez uma oferta para si mesma, pois lá onde dona Lu disse que mandou os vestidos ninguém os recebeu.
A vida é dura mesmo. E isto vai acontecer logo nesta hora?, murmura o senador de nome estranho, que quer ser candidato a vice de Geraldinho, mas tem medo que a velha pasta cor-de-rosa possa atrapalhar. É uma pasta que andava tempos atrás para cima e para baixo do Brasil inteiro, para fazer pagamentos aqui e ali.
Eles ficam ainda mais aturdidos quando jogam as pedras contra Lula. Elas batem e voltam. Não colam. Então, surge a idéia maravilhosa. Substituir o candidato que lançaram por outro. Pelo careca. Aquele que disse que não ia sair da Prefeitura de São Paulo. Mas que saiu. E será que ele sai de novo, da candidatura a governador para a de Presidente? E, se der de ele ser eleito? Ficaria? Ou estaria na hora de convocar novamente o Príncipe que fala inglês? Mal sabem eles que o telhado de vidro do careca também está pronto para ser quebrado. E aí quem está com as pedras na mão não é o PT. São os abastados.
Mas entramos abril e com ele as coisas começam a clarear. A oposição, segundo o jornalista Ricardo Noblat, não quer o processo de impeachment. Discordo. Acho que ela sempre quis e quer. Mas morre de medo do que possa acontecer. E o tempo começa a ficar curto. O importante é que Lula já sabe o que fazer. Se vier o processo de impeachment, vai botar a boca no mundo. E denunciará a tentativa de golpe. Esta é a palavra certa.

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