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Google Canta a Canção da Colheita na China

Por Sérgio Capparelli Existem na China três grandes motores de busca da internet: Baidu, Google e Yahoo.  Baidu é o preferido pelos chineses. Baidu …

Por Sérgio Capparelli

Existem na China três grandes motores de busca da internet: Baidu, Google e Yahoo.  Baidu é o preferido pelos chineses. Baidu tem 37% do mercado, Google 23% e Yahoo 21%, segundo o escritório de pesquisa Analysis International, de Pequim. A competição entre os três é importante, devido às  projeções do mercado.

Esses números vêm crescendo de forma acentuada. Eric Schmidt, o diretor-executivo da Google , ultrapassou na última semana os Estados Unidos como o maior mercado da internet mensurado em número de horas on-line, e espera que esse número chegue a 128 milhões, ou seja,  18 milhões a mais que no ano passado.

Daí o interesse dos buscadores pela China. Os três ganham dinheiro mostrando anúncios junto com os resultados apresentados durante uma busca. Os anunciantes pagam esses anúncios. Mas  não vamos, aqui, discutir milhões ou bilhões de dólares projetados como lucro. Nem as acusações de que o buscador  Google decidiu colaborar com o governo chinês. Vamos falar apenas sobre a origem do nome da empresa Baidu e da mudança do nome do Google na China para Gu Ge.

Tanto Baidu como Gu Ge foram inspirados em poemas chineses.

1. Baidu – Vem de um poema intitulado “Festival das Lanternas”, escrito por Xin Qiji (1140-1207). O Festival é uma dos acontecimentos mais alegres na China. Milhões de pessoas saem às ruas. Uma espécie de carnaval de olhos amendoados. Mais contido, claro. No poema, uma pesonagem está no meio da multidão e se perdeu de sua amada. Ele consegue enxergá-la de vez em quando,  entre as lanternas coloridas, mas ela desaparece novamente. Ele prossegue sua busca, desviando-se de dragões, dos cantos, dos risos e do anoitecer. Cansado, ele diz: / Milhares de vezes eu procurei por uma/ e então concluí, não posso encontrá-la/ pois em todos os lugares, não acho seus traços, então, de repente, eu me viro e está ela,/onde as lanternas são poucas, mas de luzes mais vivas./

2. Gu Ge – Não se refere a um poema específico, mas aos cantos populares durante a colheita e que varia conforme as dezenas de etnias. Diferente do Baidu, mais intimista, os cantos da colheita dão um tom mais coletivo, nessa faina de recolher o que foi plantado. Na semana passada, o comunicado do Google dizia:  “O nome diz que o novo nome indica que a experiência da busca pode ser frutífera e produtiva, pelo menos em uma pespectiva chinesa”. Muitos analistas, ao perceberem que a China é o único país onde o buscador mudou de nome, disseram que Google quer se distanciar da controvérsia sobre censura, procurando, assim, dar ao seu nome um toque mais chinês.

Ninguém ainda sabe se a mudança de nome vai melhor a posição de Gu Ge dentro do mercado. Mas, o mínimo que se poderia concluir é que o marketing chinês dos buscadores está indo para o campo da poesia. Uma poesia feita de bites, para 1,3 bilhão de pessoas e bilhões de dólares. Para que essa poesia funcione bem, Schmidt declarou, a empresa vai começar contratando na China 100 engenheiros para seu novo centro de pesquisa em Beijing.

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