Por Glauco Fonseca O mais recente e eficiente sistema de comunicação realizado por um governo estadual foi, paradoxalmente, o executado pelo pior governo estadual que o RS já teve. Em defesa da turma você-já-sabe-qual, contudo, é possível afirmar que foram os mais eficientes não só porque investiram bastante dinheiro, mas porque entenderam um pouco melhor do que outros governos que comunicação é algo orgânico, fundamental tanto para a manutenção do poder quanto para uma boa gestão pública.
Além de um mínimo entendimento da organicidade da comunicação, saber que planejar é necessário pode salvar governos da implacável opinião pública. Comunicar de modo planejado, coisa que pode até acontecer nos notebooks e powerpoints dos marqueteiros, raramente acontece lá na ponta, no receptor, consumidor, eleitor, chame como quiser. Se a mensagem não chegar, foi incompetente, insuficiente, ineficiente. E mensagem tem de chegar.
Governantes cometem dois erros básicos ao relegar a comunicação de seus atos a um plano inferior. O primeiro erro é imaginar que podem governar apenas com atos e cerimônias, convidando jornalistas e mandando releases para editorias de política. Esta forma “esperta” de se comunicar é apenas o básico, o mínimo que se deve fazer em termos de tornar públicas as gestões. Considerar esta relação suficiente é desconsiderar a realidade do comportamento das pessoas. Qualquer estudante de comunicação sabe que relação com a imprensa tem uma serventia e publicidade paga tem outra.
Outro erro gerencial é achar que comunicação se faz por espasmos ou apenas de acordo com demandas pontuais. Publicar um anúncio de vez em quando é tão poderoso quanto tomar chá de losna para curar hepatite. Comunicar é persistir, é insistir, é perseguir o consumidor em vários momentos, em vários locais ao longo do tempo.
Ora, direis “não há dinheiro” ou “falar é fácil”. Sim, claro. De fato, não há dinheiro e falar é fácil. Entretanto, gestores que repetem à náusea tais frases bem que deveriam pedir suas contas e ir vender frutas na feira. Comunicar em governo é função para quem pensa, planeja, antecipa cenários, joga na frente. Fazer comunicação de governo é gerir a escassez da escassez. Se quem está lá não sabe fazer isto, bem, é hora de ir embora e chamar quem possa. O que não se pode aceitar mais é modos de comunicação de governos cujas gestões sequer possuem um mote, uma essência, um diferencial competitivo que possa ser medido, sentido, percebido.
Comunicar parcialmente ou esporadicamente é quase o mesmo que não comunicar. Anunciar sem estratégia de médio e longo prazos é jogar dinheiro fora. Dinheiro que existe e dinheiro que não existe. Tentar passar uma idéia para os contribuintes, eleitores, povo, chame como quiser, sem que se tenha clareza do problema a resolver e sem que se saiba aonde chegar, é o mais solene atestado de incompetência. Há vários casos, longe e bem perto. No Estado e no país.
Sem plano de vôo, melhor mesmo é nem tentar decolar. É por isto que alguns governos hesitam em se apresentar na mídia publicitária ou, quando o fazem, se apresentam de forma difusa e incoerente. Ter ou não dinheiro é apenas uma das tantas desculpas aplicadas no mercado quando não se tem a menor idéia de como se comunicar ou até mesmo de como governar.

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