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Grama azul, grama vermelha

Por Mário Rocha É impressionante a quantidade de saliva, tinta e papel que já foi gasta pelos coleguinhas da imprensa esportiva acerca da grama …

Por Mário Rocha

É impressionante a quantidade de saliva, tinta e papel que já foi gasta pelos coleguinhas da imprensa esportiva acerca da grama do Beira-Rio e da Arena. Como tele-torcedor há muito afastado dos estádios, não sou o mais indicado para dar pitaco sobre qual a melhor escolha ante as diferenças das variedades para outono/inverno e primavera/verão, razão do substrato de areia, necessidade de plantio ao invés de desenrolar o tapetão pronto e por aí vai. No GreNal da grama, sugiro que só fale quem entende do assunto.

Biólogos, por exemplo. Os jogadores, evidentemente. E os filósofos do futebol, como o roupeiro carioca Neném Prancha. Ele disse, certa vez: “Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama.” Também merece ser lido ou ouvido quem trouxer o resultado comprovado de sucessos e fracassos dos tapetes verdes de outras praças do nobre esporte bretão. Tapetes verdes de outras praças do nobre esporte bretão! Nem acredito que escrevi isso e não só uma, mas duas vezes! Agora é tarde.

Despejando frases como aquela aí de cima, reconheço que eu passo a ser sério candidato a integrar outro grupo de experts. É aquele que irmana os que se agacham, recolhem um tufo, examinam bem contra e a favor da luz, cheiram fundo e, finalmente, mastigam um pouco antes de proferir o veredito: “É da boa!”. Há, inclusive, quem engula ao invés de cuspir.

Entenda, leitor ou leitora, que eu também nunca vi alguém fazendo no gramado tal cerimonial extraído da nobre arte de apreciar um vinho de respeito. É apenas uma metáfora, sacou? O que estou dizendo, com todas as letras e espaços entre elas, é que no futebol tem muita gente que leva a vida pastando, sem fazer nada que preste. E sempre em evidência…

É o caso do dirigente que pensa que está acima do clube, do jornalista que só faz fofoca, do treinador que escala desafiando torcida e imprensa só para mostrar que ele é “o cara”, do jogador que chafurda na noite quando tem jogo no outro dia, do torcedor que leva foguete para o campo e mira na torcida alheia. Sei que vou meter a mão na cumbuca, mas arrisco dizer que é o caso, também, de quem transforma estádios populares em monumentos elitistas, afastando o povão que não pode pagar o ingresso com preços astronômicos.

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